O tempo voou num instante.

Roda, roda, roda o tempo. O instante. E o tempo, passa. Passa os anos, os amigos e os planos. Um passo apertado; e o tempo passa, a vida passa e eu passo.

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Do tempo e ternura

((O texto abaixo é de minha amiga, Liliene Dante, jornalista e itabirana. Feito com muita ternura, em uma noite de quinta-feira, depois de um pedido meu. Ela se sentou ao meu lado, com suas meias coloridas e blusa de frio azul. Pensamento assertivo. Rapidez ao digitar. Disse que era pra eu corrigir algum erro de ortografia. Eu prefiro não!))

Passagens. Passado. Presente. O que vem.

Talvez sejam “todos” circunstanciais. Feito eu e minha própria relação com o tempo. (Não de desejos e sonhos. Um eu de mudanças… Como borboletas azuis. Embora, acredito eu, borboletas azuis não saíram do casulo. Nasceram prontas. Azuis. Melhor dizer, então, mudanças de borboleta).

Vai tempo. Escorre. Engole. Na fluidez de um descaso com si mesmo. Na ausência de “temporalizar-se”. Eis minha inveé ja dele. Essa inveja não reprimida, mas, ao contrário, exposta. Nua e transparente, feito o eu que o tempo cuidou de moldar. Nem fortaleza, nem fraqueza. Apenas é. Assim. Do jeito mais simples de ser. Mais simplista, até.

Do alto vêm pássaros. É o que enxergam. Cá, do meus “entas”, ainda vejo as mesmas, e mágicas, e gigantes, e maravilhosamente perfeitas… borboletas azuis.

Daí, talvez, minha paixão pelas margaridas. As simplórias união de cores que não se chocam. Ouro e limpedez. A perfeição que recebe o divino. (Sobre elas pousam o sublime. Sobre elas o azul é asas e céu).

Enfim: nada a dizer ou escrever. Apenas que o tempo… a temporalidade… as margaridas e borboletas azuis. São presente. Foram. E mesmo que haja um findar. Serão.

Maio de 2012

23 de maio.

– Leite com açúcar queimado. Pode me trazer um pão de sal bem quentinho com manteiga?

Parece pouco: não é. Com a permissão da ciência da esquisitologia, é isso o que quero de presente no meu aniversário. Nada de festas ou roupas desnecessárias. Quero colo de mãe e esquecer por algumas horas as responsabilidades que impulsionam a vida. Fazer 24 anos é estabelecer uma séria e profunda relação com o seu ego. É daí que surgem as forças e a motivação para encontrar as respostas certas lá na frente. Do caderno de cabeceira, eu faço um rascunho do que pretendo ainda realizar nessa idade – lembrete, que vai ser par. Lista modesta, incluindo metas e resultados…

Esta semana conheci o grupo de dança folclórica Kyrey’y, do Paraguai. Eles vieram até Belo Horizonte para uma apresentação no Sesc Palladium, no festival de folclore. O que me chamou a atenção é que eles carregavam algo de muito precioso e que está em falta no meu cotidiano: a serenidade. A menina, antes da dança, deixou o vaso quebrar. A mãe disse que não tinha problema nisso, não era preciso chorar. Acontece… “Vamos seguir em frente?”  Me emocionei. Talvez as duas vão demorar para compreender a grandeza daquele gesto. Para quem trabalha com câmeras e usa corretivo na cara, segurar o choro era questão de profissionalismo. As grandes lições estão em cenas como essa. Fui acalmado com um belíssimo show. Depois, tive a honra de ser eternizado pela fotografia ao lado do grupo.

Dia desses, ganhei um desejo de “shallon” sincero de um judeu. Ele confessou, quer paz. Para todos os povos e crenças.

– Encontrar esse denominador comum é urgente. Compartilhar as diferenças é o barato da vida! Você viu só Jerusalém, que depois de tanto tempo foi reunificada? Agora judeus, cristãos e muçulmanos podem visitar novamente seus templos… transitar pela cidade, li-vre-men-te! Isso não é uma maravilha?

As metas para os 23 anos foram cumpridas. Todas ao seu tempo devido, com questionamentos certos (…) e as vezes, errados. A experiência mais marcante? A descoberta dos exemplos de amor ao próximo. Falo de Chico Xavier. Tive a oportunidade e fui visitar a cidade de Uberaba. Conheci lugares por onde esse Chico passou, viveu, compartilhou. O espiritismo é uma lição para nossos gestos ratos. E a esperança de renovação para uma vida melhor.

Não posso me esquecer. Colecionei bons encontros e reencontros. De amigos, de amores. Suporte maior: a família! Um ideal reforçado? A busca pelos sonhos.

Ou é 8 ou 80! Aprendi a importância de fazer as coisas muito bem feitas. E relaxei.

É assim que reitero a compromisso de ser sempre um aprendiz na vida. Da condição de eterno aluno, o conhecimento. E de não abrir mão do que é minha essência. O pão com manteiga chegou. Assim como o leite com açúcar queimado. Agora, só falta o colo de mãe.

Descontinuidade.

A televisão resolveu funcionar em preto e branco: Nada como o charme das fotografias sem cores, que pulsam e revelam vida. As notícias passam a minha frente, em todos os sentidos. De passagem, também estou. Agora, nos melhores anos da minha vida. O ano do gato; que traz sapiência, observação e a necessidade de estar em sintonia com boas energias.

A mulher fala sobre a característica dos geminianos. “São excelentes comunicadores! Eles se dão bem também no comércio ou para vender algo. Jogo de cintura não falta.” Cometo gafe! Esqueço de perguntar quais são os planetas que regem o signo… O que é mapa astral? Ascendentes? Quando estarei pronto para saber tudo isso? Conto experiências, levo aprendizagem.

O tempo chuvoso não tira minha perseverança. No domingo, resolvi passear pela cidade. Fui sozinho, queria colocar em dias as minhas ideias. O parque municipal se revelou bom amigo. Me sento na grama para assistir uma apresentação do Coral Lírico. Tarde agradável, com calça jeans e meu tênis all star.

A menina que aparenta ter 19 anos fala ao celular. Parece ser descendente de índios, pelo cabelo e traços marcantes. Exercito a arte do escutar e descubro que é do interior de Minas e veio para estudar na capital. Resolveu sair mais cedo do cursinho para andar pela cidade. Ela se senta ao meu lado. Inquieta, me pergunta quando começa a apresentação das músicas. Respondo, calmamente, “daqui a 10 minutos”. Ela sorri e diz que não sabe como não veio morar antes em Belo Horizonte. Eu só a observo.  Jeito tranquilo, ainda menina. Mas com grande capacidade cognitiva.

 

 

Hoje, 24 anos.

Este até parece ser um diário virtual. Pois bem, vou deixar de lado as definições ou afins. É que faltam 12 dias para completar 24 anos. E eu não poderia deixar de escrever algo sobre. Está certo de que não gosto de completar primaveras. Mas me comprometo, a partir de agora, me tornar mais flexível quanto a isso.

Aos 11 anos, fiz um planejamento de vida. Queria encontrar o grande amor da minha vida aos 23, namorar aos 24 e me casar aos 25. Ainda bem que os tempos são outros e as ideias vão amadurecendo e ganham novas formas e prioridades. A alma gêmea não encontrei ainda não. Mas isso já não é mais uma preocupação. A vida segue seu curso natural e, esteja onde ela estiver, estará bem. Temos a eternidade toda para os encontros. Seria eu um pouco apressado demais? Talvez sim. Mas eu não quero me fechar para as possibilidades de amores e causos que podem surgir.

Eu continuo o mesmo de sempre. O menino que ainda idealiza, acredita em seus sonhos. É difícil botar o pé fora de casa quando não tenho motivo para buscá-los. Me considero tímido – demais. O que não me impede de ser um grande admirador de pessoas. Gosto mais de ouvir do que falar. Os amigos estão em primeiro plano. Nada sou sem eles.

Sou movido a pequenos prazeres. Hoje mesmo comprei três canecas para decorar meu quarto. Outro dia, depois que sai do trabalho, passei na pizzaria perto de casa para comprar a esfirra que só eles fazem. Sou de introspecção, de inverno, de hibernar. O meu porte físico é grande e por isso prefiro as coisas pequenas, os detalhes.  Sou de pedra, espírita kardecista. Acredito em vida após a morte, em reencarnação, em missão, em dons. Não consigo ter raiva de nada e de ninguém. Não sou juiz. Sou repórter, quase uma filosofia de vida.

Alegria, força motivadora.

23 de maio é o meu dia, data que escolhi para voltar a esse mundo – mais uma vez. Sou geminiano, regido por muitos e muitos planetas que trabalham em boa sintonia com os meus ideais. Eu gosto de viajar, de jogar conversa fora, de passar o domingo fazendo absolutamente nada. Gosto de estudar, sou eterno aprendiz. Uma condição que me agrada – e muito!

Aprendiz.

Meu coração bate mais forte, eu sei.

Este sou eu, do jeito que o tempo moldou. Sem edição; material bruto que ainda não está pronto. Sou filho, irmão, amigo, jornalista, viajante, admirador, aprendiz, servidor, belo-horizontino, brasileiro. Serenidade agora eu tenho. Só peço um pouco mais de parcimônia e sabedoria.

Sou feliz, apesar dos pesares. Aqui 24 anos. Amanhã… 80. Grato por tudo.