Sexta-feira ensolarada. Um descanso depois do almoço. Em uma casa, o encontro com o saber: um espaço que reúne livros, histórias e gente. No número 35 da Rua Beira Linha, no Bairro Ouro Minas, região nordeste de Belo Horizonte, uma placa em uma porta anuncia a recém-chegada Biblioteca Paulo Freire, com acervo de 3000 livros. E os livros, estão quase prontos para serem emprestados aos moradores da região. De literatura infantil a livro didático, são diversas as opções de leitura. Na casa, ainda há espaço para oficinas e reuniões da comunidade.
Gilmar Barbosa dos Santos, coordena as atividades da Biblioteca e da Oficina de Fuxicos que acontece no local. “A casa já foi abrigo para missas e pertence a Igreja Católica. Com as missas transferidas para outro local, o espaço ficou ocioso”, observa Gilmar. Para não deixar a casa vazia, a Igreja cedeu o local para os moradores realizarem reuniões. “Foi proposto uma escola de Informática para que o espaço não ficasse vazio, mas a energia elétrica não era suficiente”, Gilmar conclui. Ele já pensa em um nome para o espaço: Centro Social Urbano Beira Linha.
A Biblioteca surgiu do pedido de uma das coordenadoras do Parque Escola Jardim Belmonte. Com a implantação da Escola Integrada no Parque Escola, projeto da Prefeitura de Belo Horizonte para as escolas municipais da cidade, o espaço onde estavam alguns livros deveria ser reocupado. Com o pedido a Gilmar, os livros foram tragos ao bairro Ouro Minas, em fevereiro de 2008, e foi criado assim, a Biblioteca Paulo Freire. “A comunidade local ainda doou muitos livros”, conta Gilmar. A mais nova Biblioteca é ainda organizada para melhor atender a população. A biblioteca prioriza o público de todas as idades. Segundo Gilmar, “são bem vindas as pessoas que tenham interesse ou curiosidade no mundo da leitura”.
Entre uma prateleira de livros e outra, está Maria Malta, moradora da região. “É importante ter uma biblioteca aqui”, reforça Maria. Consciente, ela participa de uma oficina. “É a segunda vez que venho aqui. É muito bom”, conclui. A biblioteca, que por enquanto funciona em caráter experimental às sextas-feiras, das 13 às 17 horas da tarde, ganha admiradores. Lineu dos Santos Rosa é um deles. Morador há 40 anos do Bairro Ouro Minas, ele destaca a importância do “espaço de leitura”. “É importante tudo de bom que vem para cá. Somos uma comunidade carente, e, projetos como a da biblioteca, desenvolvem mais a comunidade. Basta agora que a população valorize”, diz Lineu. A Biblioteca, por ser nova, ainda não foi bem divulgada, “Houve apenas a divulgação do boca a boca. Mas iremos divulgar melhor para a comunidade”, afirma o coordenador Gilmar.
Espaço para Oficinas
Depois do almoço, às 14 horas, sempre nas sextas e em uma sala ao lado da Biblioteca Paulo Freire, Oficina de Fuxico. A professora Marlene, organiza as aulas. Elisa Custódia de Lima, uma das alunas e moradora do bairro Ouro Minas, prepara-se para a produção de fuxico. “Toda Sexta pela tarde estou aqui. Já é a segunda vez que faço a oficina”, diz Elisa. Aos sábados, também no mesmo espaço, há o projeto Crescer, da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG. Segundo Gilmar, o projeto trabalha com as crianças da comunidade através de atividades lúdicas. “O projeto também promove um momento para que histórias sejam contadas”, acrescenta Gilmar.
*Matéria será publicada no Jornal Marco, da PUC MG. Edição 258
Repórter: Sander Kelsen
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