O último post de 2012.

Me coloquei no centro de minha vida e comecei a chorar, como sugere Adélia Prado. Meu avó chamava isso de “lavar a alma com sabão e amaciante”. Eu gosto de fazer balanços e perceber o quanto amadureci e como ainda preciso caminhar. Comecei 2012 debaixo de chuva, com amigos e parentes no sítio em Taquaraçu de Minas. Um incentivo e tanto: afinal, eles são a grande força motivadora para meus passos.

Como repórter, vivenciei extremos: os desabrigados por causa das águas em Minas… o trânsito caótico nosso de cada dia… Os acidentes nas estradas e, principalmente, na Avenida Nossa Senhora do Carmo, em Belo Horizonte. Nunca vou me esquecer de Lucas Magalhães e Caroline Palmer. Das lições de fraternidade e amor do pai de Lucas Magalhães. Do esforço de uma comunidade que se uniu para pedir mudanças na cidade. Um ano marcado também pela movimentação para abrigar a copa do mundo em 2014. A reinauguração do Mineirão. A previsão de construção de mais hotéis para atender a demanda de turistas na cidade. Jovens buscando capacitação. Descobri que o cotidiano urbano é complexo e exige de nós, comunicadores, uma análise cautelosa e urgente do que se segue.

Nesses encerramentos de ciclos, é bom fazer uma lista; do que a gente deixou para trás, do que não fizemos e do que vamos fazer. Aprendi a trocar pensamentos ruins pelos bons. Encontrei no meu eu interior a vontade de transformar sempre.

Somatizei e fui parar no hospital. O stress me pegou em alguns meses: e isso eu não quero mais não.

Foi o ano que mais tirei fotografias.

Eu continuo o mesmo de sempre. Com o diferencial da parcimônia e a serenidade.

Continuo com meu amor incondicional: Belo Horizonte é o meu porto seguro.

Queria ter feito mais trabalho voluntário. Se dedicar ao próximo é garantia de saúde e aprendizagem.

É isso: fé cega, faca amolada. Um feliz 2013.  Com orações em meus bolsos e sem nenhum destino a seguir.

Parei o tempo.

A menina perguntou:

ser assim, de propósito, é válido?

Me intrigou.

O tempo segue da janela do meu quarto…

a lua passa, as nuvens se ajeitam na cadência da noite.

E eu me esqueço, algumas vezes, que sou o protagonista da minha vida.

 

Parei o tempo.

O desejo de todos é viver de felicidade,

como aqueles capítulos de uma minissérie de TV.

Lá, tudo parece ser mais belo:

a fotografia, as luzes, as situações.

A certeza de que tudo vai dar certo.

Por muito tempo me escondi. Neguei minha existência. Sempre soube o motivo de estar nesse mundo. E é com parcimônia que vou buscar meus objetivos. Com união, é claro.
Por muito tempo me escondi. Neguei minha existência. Sempre soube o motivo de estar nesse mundo. E é com parcimônia que vou buscar meus objetivos. Com união, é claro.

 

Eu, em letras minúsculas: força do ego.

um cara que queria voar. foi perto do sol e se esborrachou. mas arriscou’. pode ser que sim. pode ser que não. eu nunca escolhi o que eu ia fazer na vida. sempre fui o escolhido. mas sou meu e não de quem quiser. queria ser motorista de ônibus. hoje sou multi funções. sei onde quero chegar e me preparo para isso. sou geminiano de 1988, signo da comunicação. mas era tímido. já não sinto tanta falta dos tempos de colégio. são ‘lacunas’ que foram preenchidas com o cotidiano. aprendi, na marra, que só é lutador quem sabe lutar consigo mesmo. quando perguntam sobre minhas qualidades, me enrolo. elas são muitas (modéstia). quase sempre coloco uma não-qualidade como qualidade. me contradigo. acho normal isso. não abro mão de falar bobagens. seriedade o tempo todo cansa. coleciono pequenas proezas. aos 19 anos fiz alguns leitores se emocionarem com uma crônica que escrevi. aos 18, viajei para o norte de minas para ser rondonista. aos 11 anos, consegui chegar ao final de mário world do super nintendo, em uma televisão sharp de 1990. conclusão: quando você é jovem, é uma lousa apagada. ai quando envelhece… o que você fez de si ta aqui ó, na cara. gosto de conviver com pessoas, de vitalidade, de beber cachaça, de namorar no inverno, do meu nome, de lembrar de coisas que ninguém viu, de belo horizonte, de minas gerais. não gosto de remédios e muito menos hospital. acredito que tudo é energia: eu, você, ele e ela. prefiro não estudar sob pressão. aprendizado é coisa séria e gosto de ler os livros calmamente. minha meta é contar 1 bilhão de histórias – abusando da falta de continuidade, tempo não-linear e tempo desconexo. às vezes, o conforto nos deixa burro e corrupto. muito burro e corrupto. acredito que o problema do brasil está na raiz. as pessoas devem ser educadas, não instruídas. educadas, em casa. quando emoção sai do coração, vira bandeira, vira partido… (risos) nunca deu certo. eu tenho certeza que um dia tudo vai mudar. não para mim. não para você. o ser humano está aprendendo. os obstáculos são normalmente desagradáveis. mas essas coisas normalmente desagradáveis… nos ajudam! agora, mais assertivo. estou aprendendo a dançar. gosto de tango, não tenho problema em assumir isso. desconfio o que me deixa satisfeito mesmo é dormir 16 horas por dia. sou seletivo, exigente. priorizo a qualidade e o conteúdo. se o santo não bateu com algo, não adianta tentar. estou ampliando o meu gosto musical. atemporalidade… ela chega de mansinho e quando você percebe, dá risadas e lembra como o tempo e os amigos são generosos. tem pessoas que são tão pobres, tão pobres, que tem a conta bancária recheada de dinheiro. e outra, não oprimam pessoas na minha frente. não terão minha parcimônia, tomarei o partido delas e vocês vão se danar. uma conversa honesta resolve tudo. longevidade? não é defeito viver bastante. só não gostaria de ficar ultrapassado. gosto sempre de dizer que gosto da minha vitalidade. estive pensando outro dia que o brasil tem uma possibilidade de integração que poucos têm. qual é a infinita possibilidade real? ai eu percebi: aqui judeu se dá com árabe e vão juntos ao centro de macumba. não é uma maravilha? as diferenças enriquecem. elas estão ai para contribuir e não nos separar. eu penso outra coisa: a nossa única saída é virar gente. e virar gente é exercitar o amor.

A bióloga.

Estranho era que ela ouvia Raul Seixas pelo fone de ouvido. Caminharam da praça até o apartamento. Ele não sabia dessas preferências musicais – Os dois, em uma análise psicológica, ficariam longe de serem idênticos ao conceito de alma gêmea. Por que havia aquela atração então? Ela dizia que provavelmente seria um carma – bom – a ser resgatado. O rapaz contava os dias para completar 25 anos e resolver algumas questões pessoais, como seguir alguma filosofia ou religião. Até onde tinha ido, não se sentia totalmente seguro para assumir isso de peito e alma. Tinha que prevalecer o brilho e o interesse… promessas que fez na colação de grau da faculdade e que se tornou um ritual para o resto da vida. Por isso, aquela confusão se formava ao falar de carmas, vidas passadas, o presente e o futuro. O que queres que faças, Deus?

Ela estava com um vestido vermelho, longo; batom rosa e alguns adereços no cabelo. Foi o que chamou a atenção dele em uma tarde de sábado na praça do bairro. A menina lia pomposa um livro de Adélia Prado, porém tranquila e ignorando o calor, sob a sombra da árvore centenária. Se não fosse poético, seria cena de cinema. Ele se sentou em frente. Observou por quase 30 minutos e resolveu saber quem era ela, a mulher bonita e de ares cult. O menino não gostava de assumir. A verdade é que tem tara por esse perfil. Sem cortes.

– Eu gosto de ex-voto. Minha irmã é jornalista. Já entrevistou uma vez Adélia Prado. Disse que era tão serena. Foi lá em Divinópolis, há pouco mais de 10 anos, em uma reportagem para a televisão local.

Ela se espantou, levantou a cabeça e se deparou com um jovem atrevido, de vinte e poucos anos. Camisa xadrez, sapato um tanto alternativo e calça longa. Um tanto fora dos padrões de beleza vigentes na mídia, um tanto interessante pela interrupção.

– É? Ex-voto foi o primeiro poema que li dela. Eu estou em uma fase Adélia Prado ultimamente. Querendo entender minhas raízes pela literatura, sabe? Por isso leio Clarice também… e adoro declamar pelos quatro cantos desse mundo. E você, posso saber quem é?

– Apenas um rapaz interessado em literatura… e boas conversas para descobrir melhor o mundo. Você toma um refresco comigo?

– Depende do tipo de refresco. Nada de polpas congeladas. Gosto mesmo é de suco natural. Se aceitar minhas condições, animo.

– Tá certo. Gosto de pessoas com a alma aberta para novas possibilidades. Posso saber seu nome?

Assim foi o primeiro contato. Se tornaram amigos. Ela trabalhava como bióloga pela manhã. Morava na região central de Belo Horizonte. Veio do interior de Minas, ou melhor, do sul mineiro. Não tinha sotaque carregado, puxando o r. Representante do doce jeito de falar bem daqui, das Gerais. O rapaz se formara há pouco tempo… e ela também. Estavam começando a andar sem a ajuda financeira dos pais. O primeiro aperto no orçamento… a falta de organização com a casa… a cozinha que os encarava sem piedade.

– Aperta o sétimo. Você sempre se esquece o andar em que moro.

– É sugestivo. Um convite para que você more comigo. É minha namorada, nada mais natural que isso.

– Quero liberdade.

– Uai, e por que não teria liberdade comigo também? Eu sufoco você?

– Você entendeu o quero dizer. Mas com esses olhinhos, essa carinha e esse cuidado, vou pensar no seu caso.

Partiram para um beijo no terceiro andar. O elevador subia lento… um apartamento construído na década de 50 com equipamentos do mesmo tempo. Modernidade para quê? Ao chegar no sexto, ela interrompeu as carícias.

– Pare, chega… alguém pode ver.

– E você ainda continua desejando liberdade?

A cada minuto que passava, ele tentava desvendar a garota e seus mistérios. Aos poucos, como em uma degustação de vinhos. Ela tinha etapas que mereciam ser vividas uma de cada vez. Uma bióloga, apaixonada e que pregava a liberdade. Nas paredes de seu apartamento, fotografia de animais exóticos. Assim como era ela.

A intensidade de dezembro.

O nascimento de Jesus reforça alguns conceitos que vão sendo esquecidos no período de um ano. Um deles e o mais importante para mim é o ato de amar. Entra ano, sai ano… e a minha capacidade de ter fé nas pessoas e amá-las cresce mais e mais. Agora preciso achar um tom, sou excessivo demais em alguns momentos.

Meu amigo me ligou do Rio de Janeiro. Disse que virá à Minas Gerais mais uma vez. Não vai ser de ligeiro, como descreve Fernando Sabino em um de seus livros para traduzir o trem. Vem de avião -e para comungar a ceia comigo e minha família. De Itabira, recebo a notícia de que minha grande amiga de outras e outras vidas estará presente também em terras belo horizontinas. Que se façam os encontros, as conversar e a arte do pleno verbo amar. É assim que eu gosto: a casa aberta, a casa cheia. E mais: celebrando a vida, seus pesares e apesares.

Meu irmão se formou no ensino médio há poucos dias. Passou direto no vestibular de importantes instituições e, daqui uns anos, vai ser médico veterinário. Na colação de grau dele, me deparo com jovens de 17 anos cheios de vida. Sorrisos, abraços… a intensidade em todos os gestos. Assim deve ser a vida, pensei. Nos depoimentos, a menina que representa a turma diz que tem medo.  Quase não acredito. Se pudesse, diria a eles que tudo apenas está começando. E o medo a gente aprende a deixar de lado.

O centro de Belo Horizonte me fascina. Por duas semanas, deixei o carro na garagem e resolvi passear por esse fantástico lugar. Pela noite, sinto cheiros descendo a Avenida Augusto de Lima. De arte, cultura, pizza, de bares. Que bom! Me sinto vivo e acolhido pela cidade que nasci. É o burburinho que me atrai, os casais e seus apaixonantes beijos… cenas de minhas crônicas secretas. A conversa que ouço ao pé do ouvido ao entrar no transporte público. Descobri que isso é parte do meu combustível de geminiano e de futuro escritor do cotidiano da cidade.

O Mineirão realmente me surpreendeu. Uma lágrima escorreu por minha pele ao se deparar com o gigante da Pampulha. Depois de 2 anos, ele foi reinaugurado com muita pompa e tudo o que merece. Para uma pessoa igual a mim, leigo no futebol, pude experimentar um pouco da emoção de torcedor. Gostei do que vi. Um legado para o Brasil todo.

Itabira, a cidade onde nasceu Drummond, continua a me encantar. Outra dia, por suas ruas, observei que seu chão brilha. É o minério de ferro e isso me transportou para as palavras do poeta-maior. Em dezembro, tive a oportunidade de conhecer em Itabira amigos e a ex-mulher de Raul Seixas. Um encontro e tanto! Mas isso vai ficar para outro post, com calma e espaço para acabar com os pré-conceitos sobre esse importante músico brasileiro.

É isso. Um feliz natal a todos. De preferência, com serenidade e paz.

O novo Mineirão: imagens pela câmera de poucos megapixels.

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A grande arena, futuro palco dos jogos da copa do mundo de 2014.
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Estão previstos 3 jogos no estádio para a copa das confederações e 6 jogos para a copa do mundo.
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Foram quase 3 anos de reforma.
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As arquibancadas já finalizadas.
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A expectativa é grande por parte dos torcedores e realizadores.
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Visão do campo de um dos camarotes.
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Operários finalizam os últimos detalhes.
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O trânsito vai ser alterado ao redor do novo Mineirão em dias de jogos.
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O telão!
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O telão!
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Data da reinauguração: 21 de dezembro
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O céu e a nova cobertura.
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A nova identidade dos clássicos mineiros.
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Registro do repórter que cobre o cotidiano da cidade.

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Feito estampa na paisagem de Belo Horizonte. Ficou espetacular. Até para um leigo como eu, que não entende de futebol tampouco engenharia. 21 de dezembro de 2012 é a data para a reinauguração do novo estádio.

Do que não foi feito.

CARTA 1: ALGUNS ESCLARECIMENTOS

Escrevo para confidenciar.  Deixar claro um sentimento nobre. Desejo que não procure por palavras certas nesta carta. Apenas leia com parcimônia. Escrevo como ser humano. Deixo palavras a seguir com a alma aberta e com sinceridade – norteadores do que está por vir.

Nesta vida, alguns motivos banais me atropelam e não deixam, por um instante, que sonhos meus e coletivos sejam realizados. Não me acostumei com sua ausência no dia a dia. De quando me mira e desvia o olhar… Eu tento capturar a visão perdida e fico encantado pelas palavras com um tom inacreditável de maturidade. Ainda mais quando descobri seu potencial como escritora…
Ela.
Ela.
Sinto falta de sua presença. De observar todos os dias seu jeito delicado. Da conversa franca na porta de sua casa. Da cerveja que nunca tomamos juntos. Do seu olhar e expressão quando a pauta não sai. Do seu sorriso, do seu sotaque e de seu cheiro.
(…)
CARTA 2: DA ARTE DOS ENCONTROS
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Escrevo também para falar dos encontros e reencontros dessa vida. Esclareço que me sinto diferente e não tenho que fazer tudo no tempo capitalista. Eu preciso de um tempo maior, de estratégia, de convivência, de brilho nos olhos, de romantismo, de pequenos detalhes. Agora, direto ao assunto. Há quase 1 ano namoro você secretamente. Estou encantado por quem você é… grato pela sua história e beleza. Como bom mineiro, guardei esse segredo. Até que uma hora o corpo somatiza e é necessário que a outra pessoa também saiba. No caso, você.
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Pois bem, ao chegar aqui, provavelmente vou estar vermelho de timidez… ou tranquilo até demais. Ou nem um, nem outro. Você já deve ter observado dois chocolates em minhas mãos. Eu tenho uma proposta, uma só opção… ou duas, quem sabe? Gostaria de estar com você: de alma, de coração, de corpo. O bombom da mão direita funciona como um ‘para bom entendedor meia palavra basta’. Se você aceitar ele, você quer estar comigo. O que significa que você também deseja abrir seu coração para mim. A gente pode sair por aí e fazer programas legais…. Poderíamos começar com um beijo, que tal? Se sim, vamos registrar a data e o horário de uma nova etapa nesta carta.
Até eles se reencontraram.
Até eles se reencontraram.
O bombom da mão esquerda significa amizade. Apesar dessa declaração toda, se você aceitar o bombom da mão esquerda, vai deixar para mais tarde o beijo e pensar essa ideia toda de cartas e declarações. Vamos seguir como amigos? Poderíamos começar com um abraço, que tal?
Com amor e ternura.