Viva 2015!

A porta não se fechou – como era o esperado e vivido dolorosamente. As expectativas foram revertidas. Tudo muito suave até! 2014 foi o ano das cinzas, de transição e do recomeço. A gente só queria que nossas preces não se tornassem inatingíveis. Nada mais justo! Anseio de um pouco de paz. E o coração batendo mais forte para vencer a turbulência dos últimos meses do finado 2013. Naquela época desejamos dias melhores. Feito mantra. É a força da confiança em números pares! Deu certo. Trocamos as pílulas homeopáticas por boas doses de suor, sangue nas veias e a possibilidade de realizar. Menos consultórios, ilusões, caminhos feitos de dureza. Mais realidade mundana e pé no chão. 2014 foi par. O ano que o limão não me pareceu azedo. Portanto, feliz 2015!

(De tudo ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando, a certeza de que era preciso continuar e a certeza de que seria interrompido antes de terminar. Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura, um encontro”. – O encontro marcado, de Fernando Sabino.)

2014, parte 1: o ano em que o limão não me pareceu azedo

– Eu só preciso buscar um novo sentido para minha vida.

Voltemos ao tempo: 2013 foi desastroso. Em todos os âmbitos e possibilidades. Repetir a frase acima, como mantra, era a solução para tantos problemas ao entrar o ano novo. O que precisava, mesmo e sem dúvidas, era de tempo. Ou de ficar sozinho para compreender algumas costuras do mundo! O médico dizia que era urgente tomar boas doses de mudança. Não quis receitar os remédios tradicionais. Eu já andava cabisbaixo e sem perspectiva para viver. Queria me entregar feito “um soldado cansado e famito”. E outra, não queria mais lutar. Me irritava fácil. Era a personificação de uma chaleira, por dentro fervendo… e por fora, explodindo! Belo Horizonte já não tinha mais o brilho de como enxergava a cidade o recém aluno de jornalismo da Católica. Estava em um estado lastimável. A Serra do Curral, aquela dos sonhos de uma infância próxima, sufocava. BH não era mais bondosa. Estava declarado: estamos em guerra! Eu e a cidade, a cidade e eu – e toda sua falta de educação, o trânsito, suas mazelas. Preferi o lado sombrio. Não podia mais. Não queria mais. Só me restava chorar. E implorar, como se não fosse responsável por meu destino, para que alguém me resgatasse disso tudo.

(É hora de refazenda, de plantar o trigo, agora não pergunto mais pra onde vai dar a estrada)

2014 foi de intensos. Do radical ao leve. Das mais dolorosas e boas emoções. Foi retomada de fôlego e perspectivas. O ano em que o limão não me pareceu azedo. Dos tempos em que as caretas foram substituídas por sorissos… daqueles descompromissados, cheios de dentes e expressividade! Sem espaços para mentiras e ilusões. 2014 foi par. 12 meses de descobertas.

De merecer o seu olhar.
De merecer o seu olhar.