Quadrilha: dois fragmentos.

Você me pergunta sobre a minha paixão, cantou Elis Regina.

Do interior nem tão interior assim: Quadrilha em Itabira, terra de minério e de Drummond. Eu gostei da tarde, da dança e da companhia. Quentão, canjica, cachorro quente, chocolate quente, milho verde, caldo de feijão, caldo de mandioca. São todos sinônimos de uma festa só, de um encontro só. Sabe, voltei no tempo e relembrei os tempos de quando dançava. Hoje crescemos. Mas a festa junina não sai do coração.

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O inverno chegou.

Já é oficial: o inverno chegou. Tempo de introspecção – e eu embarquei nele. O que aprendi dos últimos meses para cá? Vão ser dias de balanço para colocar a vida em dia. Atento aos acasos e também de olho nas sincronicidades: é ficar no estado de introspecção, não de fechamento para a vida, que continua mesmo no frio e no tempo seco.  Ela segue, desce, vai. Assim também eu, na condição de passageiro. Tento ouvir o corpo, as necessidades. Resolver o que ainda não foi resolvido. Tempo de trabalho – interno – mais uma vez. Para afinar a audição. Aperfeiçoar a visão para perceber os detalhes. Este é o inverno. Três meses e alguns dias. Um preparo para o renascimento, logo na primavera.

A necessidade da despedida.

Eu não sou o mais adequado para despedidas. Faço cara de alegre e o inevitável feliz pelos novos rumos e caminhos fica exposto. É claro que brindo, sem medos. Reitero, é questão de se adequar. Estive pensando: Uma despedida se parece com as trocas das estações do ano. Verão é tempo de se abrir. Chegou o outono, tempo de fazer um balanço de como tudo está. O inverno é sempre de introspecção. E a primavera? Hora de comemorar, se preparar para as festas. Eu tento negar. Mas essas são constatações apenas para mudanças climáticas. No fundo, no fundo… não podem se aplicar a pessoas. Cada situação é um ego, único.

Antes da despedida, sofro. Calado, observando os detalhes e com a expectativa de levar algum suspiro ou imagem do que se vai. Pode ser por qualquer pessoa ou situação; do colega de trabalho, do amigo de longa data, dos meses de férias, do tempo com a namorada. Eu somatizo, Não durmo direito, a insônia insiste até naquele tempo que se tem para o descanso depois do almoço. Vou escrever para amenizar. As palavras bonitas não surgem. Acho que nem são dignas para uma despedida. Pareço panela de pressão que cozinha pequi. Minto! Nela vai uma pedra não moldada, que atende pelo pronome ‘eu’.
– Eu só queria dizer que vou sentir sua falta. Desculpe, já sinto saudades.
É bom preparar o coração. O mês de julho vai ser cheio de despedidas. Praticamente uma por dia. Quem aguenta?
DAS MINHAS DESPEDIDAS
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Um grande coração. São estes corredores, cada ambiente daqui. Esta redação com computadores em p&b. E uma impressora que insiste em hibernar. Os sorrisos continuam nas ilhas de edição e no estúdio. A vida pulsa em cada reportagem que é finalizada e entregue a magia da TV. É gente que chega, gente que sai. Uma verdadeira estação de ônibus do telejornalismo. Mas não se engane. De caráter passageiro, sim. Mas é uma estação para desenvolver talentos e provocar reflexões. Cada um em seu tempo. E eu embarquei nela, em junho de 2008. Meu ponto de descida chegou. Agosto de 2011. Uma caminhada prazerosa, de reencontros (de amigos, de mim), de decepções, de medos vencidos (e de outros construídos), de mitos derrubados, de confiança. Mas o que importa mesmo é que aqui sempre será a minha casa. E a casa de todos vocês. Cabe a nós cuidarmos bem dela. É a nossa essência. A sensação daquela tarde corre em meu sangue até hoje. Foi a primeira externa que fiz, há pouco mais de 3 anos. Eu me lembro de cada detalhe. Não tem como esquecer. Descobri meu habitat natural: a rua, as histórias, as pessoas: a realidade como ela é – dura e doce, uma dualidade que não tem fim. Aos profissionais que me acompanharam, meus sinceros agradecimentos. Obrigado! Vocês me mostraram que a mudança é sempre necessária. Escutaram minhas queixas com toda a paciência deste mundo. Vibraram com cada VT que fiz. E o mais importante: acreditaram em meu potencial. Aos meus futuros colegas de profissão: eu peço a Deus, todos os dias, para que no futuro, não sejamos poetas de um mundo caduco. Que busquemos sempre as infinitas possibilidades! Permita-se emocionar sempre a cada esquina vencida. Essas são esquinas que ditam a direção do lugar que um dia sonhamos conquistar.

tudo foi rápido, nem uma festa de despedida. você surpreendeu todo mundo, em mais uma manhã em que discutir as idéias das matérias do jornal parece já ser automático e, flui assim, normalmente.no horário do almoço, ia confessar a você: eu nem sei onde tudo isso vai parar e talvez eu nem quero ser jornalista pro resto da minha vida. é muita responsabilidade e é muita dedicação a opinião pública e quase sempre sem reconhecimento nenhum. não sei se vou ter paciência ou a sabedoria necessária para enfrentar os temidos perfis editoriais. não tenho esse talento, e por isso aguardo já minha aposentadoria na beira de uma cachoeira longe de notícias e coisas do tipo. um dia mesmo, eu vou ter que ter um tempo para dedicar a mim. mas estou certo: me sinto feliz por estar cercado de pessoas interessantes e inteligentes – não é, Tatovsky? e o orgulho fala mais alto, ainda estamos no começo e já temos muitos sonhos realizados, outros descobertos e outros que vão se realizando. e a vida vai indo, essa mistura de sonhos, pessoas, momentos e uma pitada de dúvida. e vamos nos descobrindo, sendo caçadores de nós próprios, em busca do auto-conhecimento.  alçar voos maiores. é essa a natureza do ser humano (e que bom!). e se precisar mudar sim. e também rir dos imprevistos, apurar cada vez mais os sentidos… e tenha certeza que o trabalho valeu! valeu muito.
 obrigado pela paciência, pela compreensão, pelos desabafos e, claro, uma fofoca de vez em quando vai bem!
 uma grande jornalista está surgindo,
abraços e até segunda!

Era mais um dia de trabalho. Marcação às 8 da manhã, na periferia de Betim. Pedro tem um grande desafio aos onze anos: ficou cego e tem que sair de casa duas horas antes para estudar em uma escola especial em Belo Horizonte. Despretensioso, com um microfone em mãos, perguntei a ele qual era o seu maior sonho. “Ser jornalista, assim como você: mostrar o que as pessoas não têm capacidade de enxergar.” Todos os dias, apesar dos pesares, me convenço que fiz a escolha certa. As grandes lições que aprendi não foram na universidade. Mas, sim, no cotidiano… Como em trinta minutos diários de almoço em um pequeno restaurante: Ouvi histórias, compartilhei as minhas. É de experiências e com a vontade de descobrir um mundo todo que essa habilitação da comunicação social é feita. E temos que nos preparar. Espero que sua meta também seja contar um milhão de histórias. Com carinho…

Dos pré-conceitos: os atípicos

Alguns posicionamentos de professores universitários me assustam. São ideologias de diferentes tipos; modos de ver a vida que há tempos deixaram de ser adotados (Ou, pelo menos, são disfarçados). Eles torcem para que o Brasil não encontre um caminho para a resolução de problemas. Sonham para faltar a justiça. Também têm medo da chamada classe ‘emergente’ C.  Andam em seus carros com ar condicionado e, lá mesmo, esnobam quem não tem condições para comprar a lata de caviar.

Quando estava na faculdade, uma colega de sala participou de uma reunião desses professores – felizmente, a minoria. Foi um fim de semana regado a músicas pseudo-cults e muita ‘maconha’. Ela me confessou, atordoada:

– Disseram que detestam o discurso de flagelados. Que o povão não gosta de cultura (…) e que pobre bom é pobre calado, servindo.

Um dos grandes medos desses professores ‘atípicos’ é perder o conhecimento de anos que adquiriram. E é por isso que fazem questão de deixá-lo em uma caixinha escura, debaixo da cama. Acrescento: compartilham da ideia de que compartilhar é perda de tempo para o novo perfil dos universitários brasileiros. Algumas vezes, elegem um ou dois alunos, de boa condição financeira, aparentemente inteligentes e que possam saber guardar tanta aprendizagem! Ora… merecem ser chamados de professores?

No mais, apenas bebem quando é fim de semana e adiam a correção das provas e o planejamento das aulas. Visitam pubs. Estão cheios de pré-conceitos sobre as coisas – assim como este texto, talvez. Foram criados em condomínios fechados e tem horror de passar o verão neste país.

E a gente vai levando. Uma picaretagem ali, outra falta de conteúdo acolá. E os ‘atípicos’ ainda ocupam espaço nas cadeiras das universidades por pura amizade, comodismo e pelo tão famoso ego. Ganham títulos de heróis. Mas não são. De tempos em tempos, vale alertar.

Cidades e seus problemas

Esta edição do “Cidades e Soluções”, da Globo News, me deixou profundamente incomodado com algumas projeções. Seremos 9 bilhões de pessoas em 2050. Na reportagem, especialistas falam sobre possíveis soluções para acomodar tanta gente. E outra, já estamos no século XXI, onde os problemas, como  a poluição do meio ambiente e a falta de sustentabilidade, precisam ser resolvidos com certa urgência. Desenvolvimento sustentável é garantir os recursos naturais do nosso planeta para as próximas gerações. Mas será que estamos prontos? Vale a pena assistir e re-assistir, como fiz.

Clique Aqui – Crescimento das grandes cidades ameaça a qualidade de vida da população

Tempo colegial

Ele queria ter congelado o tempo e, quando possível, utilizar o fenômeno físico para voltar. Do sólido para o líquido, transparente. E novamente ver (…) o quanto cresceu e mudou. Ainda se lembra dos passos ofegantes, cansados, que denunciavam o início de mais uma tarde de colégio. O ano era o de 1999. Quando assustou, percebeu que já se passaram mais de dez anos. Não podia ir contra a realidade… tampouco vencer de uma hora para outra a saudade.

Nesse tempo, desconhecia as previsões. De que a população do mundo em 2050 deve chegar a mais de 9 bilhões… As pessoas estarão concentradas mais nas áreas urbanas do que rurais! Haverá cidade do tamanho de países, como a França e a Alemanha. Era só um garoto ingênuo, que idealizava e dividia sua vida como capítulos de novela. Nunca tinha se questionado sobre o lugar que queria ocupar. Sempre usava verbos no condicional.

Aliás, essa era sua condição: estudar e viver sem grandes preocupações éticas ou filosóficas… Por enquanto era assim, na virada do milênio, o medo permeado na sociedade vinha com nome e sobrenome: Bug do Milênio. Foi destaque nas disciplinas de Língua Portuguesa, Geografia e História… mediano em Matemática e outras Ciências. Não se conhecia o nível de instrução por ensino fundamental, mas como primeiro grau. Um longo caminho até a faculdade; ele ainda nem sabia o que queria da vida. Era apaixonado por TV, apenas.

 

Os sonhos

Ela tomou fôlego e leu mentalmente. Fitou as palavras. Olhou para ele. Disse, descompromissada:

– “Por favor, não me analise. Não fique procurando cada ponto fraco meu. Se ninguém resiste a uma análise profunda, quanto mais eu.” É de Mário Quintana.

Havia luz nos olhos. Os cachos também brilhavam quando o sol conseguia entrar entre as árvores e a janela do casarão antigo. Parecia sonho, mas não era. Era mesmo um fim de semana que o casal optou por sair da selva de pedras. Minas Gerais tem dessas coisas: a possibilidade de buscar refúgio, em qualquer tempo, em suas montanhas. E logo ali… o progresso!

O menino não se cansava de admirar tanta beleza. Pensou, “sou digno de tal companhia?” Uma moça feita, como dizem os mais velhos, de ideias e ideais constantes, idealizadora e sonhadora. Sorriu e não teve coragem de confessar as conclusões.

– Sabe qual é o meu maior sonho? Sair e conhecer cada canto desse mundo. Ser livre, sem preocupações. Conhecer culturas, amar o próximo… Será que isso é possível?

– Mas é claro! É só você não ter amarras. Por que não idealiza mais? Sonhe! Assim a realidade fica mais próxima, aqui, batendo na porta. Vê esse casarão? Surgiu de uma vontade. Sustentado hoje pelos laços invisíveis do amor e da fraternidade.

– Me acho ingênuo para arquitetar tanto.

– Não é questão de ser ingênuo. Você tem alma doce, pura… Entende o que eu quero dizer? Não há maldade em seu coração. Por um lado, isso é muito bom.

– E por outro lado?

– Tudo é questão de posicionamento.

Sem querer, encontrou o ponto fraco dele! Posicionar. O menino sempre teve problemas quanto a essa palavra e ação. Colocava-se sempre nos dois lados da moeda. E o tempo apertava e trazia todo sua adrenalina para que se posicionasse em relação a algumas questões, até mesmo de sobrevivência – mais do que uma questão filosófica. Mas quando apertava, muito, ele fugia!

– Venha, vamos dançar? Eu trouxe aqui uma das músicas que melhor traduz você. Vamos, não há tempo para se perder. Esta é uma tarde mágica e eu trouxe você aqui para compartilhar tudo isso. Conviver é a melhor coisa do mundo! Venha! Arrisca alguns passos comigo?

Não que estejamos sempre prontos, mas a menina estava para aquele momento. Como tudo em sua vida, se entregou – a dança, aos beijos e aos carinhos do menino, que foram de corpo e alma.