A escola da zona rural

– Tenho a impressão de que estou com uma hora a mais nesses dias de horário de verão. Meu relógio biológico é ajustado de acordo com os raios solares. Quando o sol se põe totalmente no horizonte, ele entende que são 7 horas da noite e não 8. Curioso é notar que assim vem sendo de alguns anos pra cá. Será a idade? Sabe o que é mais estranho ainda? Eu não me sinto cansada. Pelo contrário: há um sentimento de gratidão e vontade de fazer um pouco mais do que realizo no cotidiano.

Bebeu um copo d’água. Ele parou, se virou totalmente, abaixou o volume do som – que tocava um blues energizante. Fazia um lanche. Parou para ouvir o que ela tinha para dizer. Ela se escorava em um tipo de armário de madeira; quase um altar, cheio de pedras, velas e incenso. 

– Você é professora, escritora, jornalista. Tem pique de sobra. Por que não fazer a diferença agora e sempre?

– Eu tento. Mas a mudança não depende só de mim. Os meus alunos da zona rural me preocupam. Demais! Desde que assumi as turmas, tomo doses diárias da realidade nua e crua, como dizem os filósofos. Tento imaginar naquelas crianças o futuro do país. Em suas redações, a falta de coerência, erros de ortografia, concordância… pergunto, o que queres que faça Deus? O menino desabafa. Ele diz que não tem tempo para fazer o dever de casa. Trabalha na roça com os pais o resto do dia. Como educar dessa forma, com realidades tão distintas de uma capital, de uma grande metrópole por exemplo?

Silenciou. Por mais que falasse algo, não tinha a receita para a melhoria da educação brasileira. Ela continuou…

– São crianças de coração puro. João, um menino baixinho, me questiona se acredito em Deus. Eu tento convencê-lo que, independente de crenças, eu sou professora sem distinção. Não importa em quem você crê. Seja católico, evangélico, espírita… Mas deixo escapar que sim, acredito em Deus, em uma força divina. Ele se volta com raiva e lança uma pergunta arrebatadora para sua idade. “Se Deus existe, por que há tanta miséria, violência e gente matando gente?” Agora, me diz: como explico a um jovem de 14 anos que tudo é uma questão de livre-arbítrio? Que Deus ama tanto sua criação que a concedeu esse, digamos, direito?

Ela é uma jornalista experiente. Resolveu assumir 6 turmas do ensino fundamental em uma instituição pública na zona rural, no interior de Minas. A notícia era fascinante, provocadora. Mas aquela outra realidade também a fascinava. Uma nova etapa em sua vida profissional, de uma mulher segura do que é e do que faz, com vocação para ensinar e ouvir.

– Sabe de uma coisa? Todos deveriam passar por essa experiência. Apesar de chorar e descobrir que a educação brasileira é ineficiente… está sendo para mim um grande aprendizado. Todo dia aprendo algo novo com meus meninos.

Ela é a professora substituta de português. Mas os alunos nem desconfiam que a jornalista-professora não passa de uma aluna e uma eterna aprendiz. Eles é que são, na verdade, os professores. Lições de simplicidade, humildade e de vida a cada horário de 50 minutos cada.

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Qualificação profissional na área de restauração

No museu de artes e ofícios, 30 estudantes de escolas públicas da Capital e de Nova Lima aprendem técnicas de restauração. Eles participam do projeto Valor Social em parceria com a Usina do Trabalho. E a aula de hoje é sobre a caiação, um tipo de reboco que é tão resistente quanto o cimento.

Uma das tinta que os estudantes preparam é uma técnica que vem da suécia. Ela é usada em madeiras. A preparação é feita de forma rápida. O interessante é que um dos ingredientes é a farinha de trigo. Depois basta colocar um pigmento, água e sulfato de ferro. Apesar de tudo isso, é considerada econômica. Para a caiação, a cal, goma, pó xadrez, areia e água. Mas os ingredientes principais também são a boa vontade e a atenção dos alunos para conquistar o mercado profissional. Aos poucos, eles vão construindo um futuro melhor.

Essa necessidade de formar mão de obra qualificada para a área de restauração é pelo grande Patrimônio Histórico-cultural de Minas. Quem passa pela formação, tem boas chances para conseguir um emprego logo assim que acabar o curso. De acordo com o IEPHA, 60% dos bens do patrimônio cultural do Brasil estão em minas. Daí  a importância de se qualificar em um mercado que cresce cada vez mais.

Doe Palavras

Por dia, são atendidos no Hospital Mário Penna cerca de 400 pacientes. Há 40 anos, o lugar é referência no tratamento do câncer. Uma iniciativa, que é pioneira em minas, chama a atenção:  é o projeto Doe Palavras. Pela internet, qualquer pessoa pode enviar mensagens de carinho e conforto para quem está internado ou veio fazer uma consulta no Hospital. As palavras são transmitidas em monitores.

O projeto começou com o Dia Mundial da Luta Contra o Câncer. A expectativa é que mais monitores sejam instalados no Mário pena, em uma casa de apoio e no Hospital Luxemburgo.

Essa ideia de levar palavras de conforto aos pacientes através da internet não para por aí. As mensagens que chegam até o Hospital Mário Penna serão reunidas e depois transformadas em um livro. O objetivo é levar a publicação impressa para outros hospitais aqui de Minas e também do Brasil.

@doepalavras #doepalavras

WWW.DOEPALAVRAS.COM.BR

Agricultura Urbana em Belo Horizonte

Na horta comunitária do bairro Granja de Freitas em BH tem de tudo um pouco. A cavalinha é uma planta medicinal, usada contra problemas renais. Já o pingo de ouro, quando maior, auxilia na decoração de casas. Mas o grande xodô mesmo são os alimentos que esta terra oferece à comunidade. O Centro de Vivência Agroecológica atende 15 famílias. O que é cultivado no espaço tem mais qualidade e também variedade.

A horta fica próxima à  uma área de preservação ambiental. E com isso, as técnicas utilizadas são ecologicamente corretas. As garrafas pet ganham uma nova função e funcionam como o muro dos canteiros. O que é orgânico, como as cascas de frutas, vai para a compostagem. O espaço é para a agricultura urbana. Cada família que vive na região pode ter de um à dois canteiros.

O que é produzido na agricultura urbana, além de ser consumido pelos moradores, pode ser comercializado. Uma forma de complementar a renda das famílias.

Na capital, as mulheres representam mais da metade dos agricultores urbanos. Elas recebem até dois salários mínimos por mês e tem mais de 45 anos. Um seminário na câmara municipal discutiu no mês de maio a importância da agricultura urbana. O objetivo é buscar soluções para promover políticas nessa área. Se aprovado, um Projeto de Lei da vereadora Neusinha Santos vai instituir uma política de agricultura urbana em Belo Horizonte. A idéia é criar novas formas de trabalho e sustento para as comunidades, além de disponibilizar crédito e capacitação aos produtores.

Medidas mais rígidas contra saidinhas de Banco podem ser tomadas a partir de agosto em BH

A placa em um banco na Savassi mostra que o horário de auto atendimento é até as oito da noite. Uma tentativa de dar mais segurança aos usuários. Em dias considerados de grande movimento nas agências bancárias, a Polícia Militar intensifica as rondas para evitar os assaltos. Mas mesmo assim, cada um tem uma receita para não cair no golpe da saidinha de banco.

Em Belo Horizonte, no último período de seis meses, o dano patrimonial por causa das saidinhas chegou à dois milhões de reais. A projeção para 2010 é um prejuízo de 8 milhões. Isso se não houver nenhuma medida de forma mais severa para tentar diminuir os assaltos. As regiões da capital que mais sofrem com a saidinha de banco são a noroeste e a centro-sul. Um projeto de lei para todo o estado traz uma série de regras que os bancos devem seguir para tentar amenizar esse tipo de crime. A implantação de divisórias nos caixas eletrônicos, além de câmeras na parte externa dos bancos.

Uma reunião em 12 de maio discutiu um levantamento feito pela Polícia sobre esse tipo de crime e o projeto de lei, que é de autoria do deputado Délio Malheiros. O PL ainda propõe telas de proteção nos caixas eletrônicos e quer permitir que as ocorrências das saidinhas sejam feitas também pela internet.

Sobre SAC’s e Call Centers: reclamações ainda são feitas mesmo com decreto

Rijane Costa de Oliveira é moradora do bairro Santa Cruz, na região nordeste de Belo Horizonte. Ela tentou em novembro cancelar uma cobrança indevida, que veio na fatura de um cartão de crédito das compras do supermercado. A paciência foi em vão. Não conseguiu o atendimento. Não obteve resposta. 

Mas em dezembro, já com a lei em vigor, retornou novamente. Conseguiu o atendimento e a resposta. Isso  só depois de dois minutos – o que não é o ideal! Mas ficou satisfeita. “A tendência é melhorar agora. Com tantas tecnologias e decretos que temos, esse é o único resultado que espero”, argumenta.  

O PROCON de Belo Horizonte alerta: quem for lesado deve preencher um questionário, onde a empresa vai  ser notificada. E um dado curioso: Em 4 dias em que está em vigor  a lei, cerca de 100 reclamações foram registradas.

Dentre as empresas, a CEMIG possui hoje um dos maiores Call Centers de Minas. Por lá as mudanças já foram feitas. O protocolo é dado no início da ligação e o maior desafio – atender a todos dentro de um minuto – segundo a empresa, já é implantado. “Aqui o trabalho está mais dobrado”, segundo um atendente do Serviço de Atendimento ao Cliente.

 Veja o que muda no atedimento dos Call Centers, do UAI