O passar do tempo.

Só por algumas vezes eu permito a me observar e encontrar alguma beleza na minha própria imagem. É que quando achamos que temos alguma, aplica-se a possibilidade de ser um tanto adepto do narcisismo. Não é o meu ideal. Mas é que, vez ou outra, gosto de ficar admirando como o tempo me moldou e vai me moldando. As primeiras rugas, as outras marcas de expressão, o cabelo torto com redemoinho. A visão afetada pelo astigmatismo e os óculos um tanto desajeitados na face. É essa beleza que me atrai, conquistada pelo passar dos anos e com muito mérito.

Vejo e sinto os fios: um reparo pequeno, tosado com grandes cuidados… a diferença é grande: menos costeleta, menos cabelo na testa. Resultado? Visagismo capaz de mudar até mesmo a fisionomia. Saudades dos cabelos encaracolados. De ter permissão para fazer quantas voltas quiser e brilhar ao sol. Hoje, estão padronizados para uma vida extremamente comercial.

Eu gosto do jeito que os anos passam para mim… São generosos.

Da vontade pulsante de ainda permanecer jovem e amadurecer apenas o necessário. Desse jeito estabanado de ser. Da inconstância. É assim: descobrir mais um pedaço da identidade a cada ano. É prazeroso.

Trabalhado pelo tempo, em P&B. Assim se vão os anos, os amigos e os planos.
Trabalhado pelo tempo, em P&B. Assim se vão os anos, os amigos e os planos.
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retrato – sander kelsen

não serei o poeta de um mundo caduco. também não cantarei o mundo futuro. o tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente. ‘um cara que queria voar. foi perto do sol e se esborrachou. mas arriscou’. pode ser que sim. pode ser que não. eu nunca escolhi o que eu ia fazer na vida. sempre fui o escolhido. mas sou meu e não de quem quiser. queria ser motorista de ônibus. hoje sou multi funções. sei onde quero chegar e me preparo para isso. sou geminiano de 1988, signo da comunicação. mas era tímido. já não sinto tanta falta dos tempos de colégio. são ‘lacunas’ que foram preenchidas com o cotidiano. aprendi, na marra, que só é lutador quem sabe lutar consigo mesmo. quando perguntam sobre minhas qualidades, me enrolo. elas são muitas (modéstia). quase sempre coloco uma não-qualidade como qualidade. me contradigo. acho normal isso. não abro mão de falar bobagens. seriedade o tempo todo cansa. coleciono pequenas proezas. aos 19 anos fiz alguns leitores se emocionarem com uma crônica que escrevi. aos 18, viajei para o norte de minas para ser rondonista. aos 11 anos, consegui chegar ao final de mário world do super nintendo, em uma televisão sharp de 1990. conclusão: quando você é jovem, é uma lousa apagada. ai quando envelhece… o que você fez de si ta aqui ó, na cara. gosto de conviver com pessoas, de vitalidade, de beber cachaça, de namorar no inverno, do meu nome, de lembrar de coisas que ninguém viu, de belo horizonte, de minas gerais. não gosto de remédios e muito menos hospital. acredito que tudo é energia: eu, você, ele e ela. prefiro não estudar sob pressão. aprendizado é coisa séria e gosto de ler os livros calmamente. às vezes, o conforto nos deixa burro e corrupto. muito burro e corrupto. acredito que o problema do brasil está na raiz. as pessoas devem ser educadas, não instruídas. educadas, em casa. quando emoção sai do coração, vira bandeira, vira partido… (risos) nunca deu certo. eu tenho certeza que um dia tudo vai mudar. não para mim. não para você. o ser humano está aprendendo. agora, mais assertivo. estou aprendendo a dançar. gosto de tango, não tenho problemas em assumir isso. sou seletivo, exigente. priorizo a qualidade e o conteúdo. se o santo não bateu com algo, não adianta tentar. longevidade? não é defeito viver bastante. só não gostaria de ficar ultrapassado. gosto da minha vitalidade. estive pensando outro dia que o brasil tem uma possibilidade de integração que poucos têm. qual é a infinita possibilidade real? ai eu percebi: aqui judeu se dá com árabe e vão juntos ao centro de macumba. não é uma maravilha? as diferenças enriquecem. elas estão ai para contribuir e não nos separar. eu penso outra coisa: a nossa única saída é virar gente. e virar gente é exercitar o amor.

Perfil Leda Nagle

Apresentadora do Sem Censura. Do Jornal Hoje ao programa da TV Brasil. Eu gostava de ver Sem Censura, na Tv Brasil, às 4 da tarde. Hoje eu não tenho tempo mais para isso. Mas encontrei o perfil da Leda. Gosto dela.

Eu nasci, cresci e me formei em juiz de fora. Foi lá que eu me apaixonei pela primeira vez, aprendi a dirigir carros, trator e caminhão. Foi lá que vi o homem chegar á lua. Foi lá, também, que aprendi a falar mineiro. Mandioca, mexerica, passeio e sombrinha. Só depois, muito tempo depois, já no Rio de Janeiro (que escolhi para viver) é que descobri o aipim, a tangerina, a calçada e o guarda chuva.

Na verdade, eu sempre pensei em ser jornalista. Nunca sonhei em ser outra coisa. E também nunca me ocorreu morar em outro lugar que não fosse o rio de janeiro. O rio é o lugar porque permite que a gente se descubra. Comigo não foi diferente. Me descobri flamenguista saudável, mangueirense de coração, carioca de fé, capricorniana convicta e orgulhosa mãe do carioca Eduardo.

Sou do tipo organizada, gosto de tudo no lugar certo… Se fico triste recebo uma Maria de frente: limpo móveis, arrumo gavetas e armários… Em silêncio. Aliás, gosto do silêncio também para plantar e replantar flores e temperos. Adoro fazer várias coisas ao mesmo tempo, tipo estar ao telefone e na internet enquanto vejo televisão… Aliás, adoro telefone e, principalmente adoro fazer televisão.

Gosto muito de estúdio de televisão. Gosto daquele clima tenso. Daquela voz ameaçadora que diz:… “trinta segundos”… “vai entrar”…
É neste momento que sinto uma calma franciscana, que adoro aqueles milhares de faxes, emails e telefonemas, aquelas várias pessoas falando ao mesmo tempo, aquela multiplicidade de idéias e sonhos. Tudo acontecendo ao mesmo tempo. Pra dizer a verdade, adoro falar. Aliás, gosto tanto que arranjei um jeito de ganhar a vida falando… Graças a Deus, a São Judas Tadeu e a todos os orixás.

Com certeza. 

Fonte: http://bloglog.globo.com/ledanagle/#