Escolhas.

Elizabeth: Por que você quer mantê-los? Você deve apenas jogá-los fora.
Jeremy: Não. Não, eu não poderia fazer isso.
Elizabeth: Por que não?
Jeremy: Se eu jogasse essas teclas longe, então as portas seriam fechadas para sempre e o que não deve ser, cabe a mim decidir… Pode isso?
Elizabeth: Eu acho que eu estou apenas procurando uma razão.
Jeremy: Das minhas observações, às vezes é melhor não saber, e outras vezes não há nenhuma razão para ser encontrado.
Elizabeth: Tudo tem uma razão.
Jeremy: Hmm.. É como essas tortas e bolos. No final de cada noite, o bolo de queijo e a torta de maçã vão sempre desaparecer. Veja agora: A torta de pêssego e o bolo de mousse de chocolate estão quase a terminar… mas sempre há uma torta de blueberry intocada!

Elizabeth: Então, o que há de errado com a torta de blueberry?
Jeremy: Não há nada de errado com ela, só que as pessoas fazem outras escolhas. Você não pode culpar a torta, é só… ninguém quer isso.
Elizabeth: Espere! Eu quero um pedaço.

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Tudo muito estranho.

– O barzinho com uma sacada – no segundo andar de um prédio da Avenida Afonso Pena e Amazonas – começou a cobrar uma tarifa da imprensa (depois das últimas manifestações e por tanto movimento de repórteres por lá) para que jornalistas entrassem no local para registrar imagens da Praça Sete. Uma placa foi colocada: 200 reais para a entrada com câmeras. Um senhor controlava a portaria. Não demorou: entre cadeiras e bebidas, um ponto  de vivo exclusivo da TV Record Minas (que, como sempre, deve ter inflacionado o preço da diária para as outras emissoras).

– Mídia podre e nojenta! Vi gente gritando isso (e tudo mais) nas passeatas. As mesmas estavam com roupas, tênis e mochilas – todos de marca. Uma que gritou as palavras contra a mídia, logo perguntou onde encontraria um lugar para assistir o jogo do Brasil – que ia ser na tarde de quarta. Me perguntei: ia ver na Globo ou na Band? Afinal, o que importa é protestar. Seja por qual causa for! Ainda bem que hoje cada pessoa tem a possibilidade de acessar informações de diferentes fontes. Mas que o comodismo do compartilhar no facebook não impeça que as pessoas encontrem a boa apuração e a pluralidade de ideias. E outra: uma inverdade dita mil vezes se torna verdade: compartilhe.

– O brasileiro é show de criatividade. Vide os cartazes das manifestações.

– O brasileiro também é show de falta de limpeza. Vide a Praça Sete, às 14 horas, quando grande parte das pessoas saíram em direção à Avenida Antônio Carlos. Sujeira por toda parte.

– Os oportunistas sempre surgem. Alguns, com bela retórica, tentam fazer com que você se entregue a um ideal que não é seu. Ouça calado e finja concordar para que ele dê linha. Não se deixe vislumbrar com o famoso ditado: “por fora bela viola. Por dentro, pão bolorento”. O que vale são as discussões!

– Os vândalos chegaram a saquear um posto de gasolina na avenida Antônio Carlos. O combustível da alegria? Cerveja! Foram garrafas e mais garrafas… Teve gente que veio de longe para levar engradado para o churrasco de domingo.

– Agora é a hora de dar continuidade ao que os protestos trouxeram: a PEC que não foi aprovada, os pactos pelo Brasil… a reforma política. Será tudo isso suficiente? O que mais de concreto queremos? Aliás, democracia dá trabalho. Creio: quem participa das manifestações deve acompanhar e cobrar de perto as promessas/ações/propostas do político que votou nas últimas eleições. Se não, nada feito: aí o gigante não acordou.

Árvore dos pedidos. Belo Horizonte, 20/06.

– É como se fosse uma árvore dos pedidos, pedidos de mudança… Aqui tem, por exemplo, o pedido para um transporte público de qualidade, pelo passe livre. São cartas dependuradas, batidas em uma máquina de escrever. É para mudar o Brasil. 

A fala é de um professor de arquitetura da Universidade Federal, que caminhava a passos largos na noite de quinta, seguindo em direção à Praça Sete de Belo Horizonte. O pirulito, da área central, nunca foi tão democrático. Gente pedindo mudança. 

– É a voz do povo nas ruas, em um único partido e bandeira: Brasil! É a esperança de mudar o país para os nossos filhos, nossos netos. É uma basta para tanta corrupção, para interesses que só interessam a poucos. É por um bem comum que lutamos. 

O 20/06 recebeu os manifestantes com uma chuva de papel picado dos prédios da Avenida Afonso Pena e Amazonas. Foi a primeira vez que a passeata passou pela Câmara Municipal. 

– Vem pra rua vem!

As impressões sobre o 18 de junho.

Estacionou o carro de reportagem na entrada da Universidade Federal. Ali estavam outros veículos da imprensa. Os helicópteros já sobrevoavam o local. Antes estava na Cidade Administrativa, na região norte de Belo Horizonte. O governador Antônio Anastasia disse que as manifestações eram legítimas; e que a polícia iria preservar as áreas públicas da depredação por parte de vândalos infiltrados nas passeatas. Um comandante da PM também falou sobre o assunto – que os possíveis casos de abuso policial no dia 17 de junho vão ser investigados pela corregedoria.

Às 17 horas, os alunos da UFMG começaram a se reunir na porta da universidade. A movimentação dos alunos foi grande. Alguns me cobravam, por estar com um microfone, que a imprensa deveria promover o debate sobre a PEC 37, educação, cura gay, tarifa do transporte coletivo – essas são algumas das causas mais presentes no burburinho da manifestação. Os alunos seguiram para a Avenida Antônio Carlos. Fecharam as três pistas da via. Deixaram alguns ônibus passarem – e neles, os passageiros com câmeras em mãos… muitos aplaudiam! Outros, xingavam. Paciência: assim é a democracia. Pouco tempo depois, o hino nacional – de arrepiar!

As manifestações ocorreram em várias regiões da cidade. Às 19h todos estavam no centro de Belo Horizonte: protestando pelas melhorias. A grande maioria pedia, sem vandalismo, sem crime. A mobilização se deu também pela internet.

“Galera gostaria de falar algumas coisas sobre o ATO NA UFMG – BH ACORDOU ! PARA TUDO NA ANTÔNIO CARLOS que aconteceu ontem, foi ótimo do inicio ao fim andamos da UFMG da Antônio Carlos á praça sete, ví pessoas de ônibus descendo e se juntando ao movimento, pessoas que chegaram no meio da manifestação e muitas pessoas que mesmo não podendo se juntar a nós, estavam nos dando força, mas fiquei extremamente furioso com o que aconteceu no fim da noite, por volta de 21:40 um pequeno grupo de 3, 4 pessoas estava jogando bombinhas e pedras na prefeitura municipal, logo depois esse grupo se tornou um numero de 10 pessoas colocando fogo no meio da rua e DESTRUINDO a prefeitura municipal, o movimento é SEM VANDALISMO e depredar patrimônio publico é CRIME, depois me vem usar a bandeira do Brasil como manto e quer que a policia não atira por que a bandeira é considerada patrimônio publico. O lugas desses vândalos, desses delinquentes é junto aos nossos inimigos políticos, atrás das grades, é tudo verme do mesmo tipo a unica diferença é que os políticos roubam nosso dinheiro e não fazem nada pela cidade, já esses vândalos não fazem nada pela cidade e ainda a DEPREDAM, se você está vindo apenas para isso, não venha, você não é bem vindo, agora vocês deram motivo para tropa de choque vir e fazer a repressão… vamos manifestar PACIFICAMENTE E SEM VANDALISMO!!!” – Gustavo Henrique Silva

“Ontem a noite na praça 7 um pequeno grupo de 3 ou 4 pessoas estava jogando bombinhas e pedras na prefeitura municipal, logo depois esse grupo se tornou um numero de 10 pessoas colocando fogo no meio da rua e degradando a prefeitura municipal, os VÍDEOS mostram estranhamente a AUSÊNCIA da Polícia Militar durante o vandalismo (Atenção NESTE PONTO: ENTRELINHAS É TUDO). Isso tudo somente reverte a opinião pública contra o movimento!…NÃO PERCAM O FOCO”.
*Eles têm Armas, Nós temos 3G e Facebook! – Camila Almeida Felix

Protestos em Belo Horizonte: 17 de junho, um dia histórico!

Há muito deixei de acreditar em partidos e bandeiras. Me tornei assim depois que conheci realidades bem diferentes por esse Brasil (Apesar da minha pouca idade e maturidade); tanta corrupção, tanta pobreza, tanta falta de cuidado. Fiz uma mudança: acreditar em pessoas: pra mim, ainda é o melhor investimento. É uma forma de não me isentar dos problemas e não dizer que sou apolítico – impossível. Fico imaginando os sociólogos tentando analisar esse momento. É hora de renovar as teorias e de, talvez, não explicar essa combustão de gente na rua a querer mudanças. É simples: cansamos. Pois bem, presenciei hoje, como profissional, as “manifestações” em Belo Horizonte. Não sei quando e onde começou: Ao subir em um prédio e ver a Praça Sete ocupada por jovens (e muitos com a bandeira do Brasil) deu orgulho. Sensação que não se explica. Gente nos prédios aplaudindo. Gente observando a passeata passar. Mobilização na medida certa contra os problemas do país. Enfim, amanhã o assunto em pauta será o confronto que houve na Avenida Antônio Carlos, próximo a Universidade Federal. Uma pena. Utilizando um clichê, estive no olho do furacão. Vi que foram pessoas isoladas – más e não engajadas – que fizeram a depredação em um banco e jogaram pedras contra a polícia. Quando realizavam esses atos, eram imediatamente repreendidas por pessoas do bem. Pela primeira vez, experimentei o gás lacrimogêneo. E foi aí que também experimentei a solidariedade de quem estava por lá. Me ofereceram inúmeras vezes vinagre e água quando viram que meus olhos estavam a ponto de miséria. E muitos outros tentavam me proteger! Enfim, palavras do dia: união e solidariedade. Elas se destacam mais do que qualquer outra coisa. São ingredientes para começar um novo tempo.

Brasil, confia em mim.

Gostaria de ter conhecimento de causa: de onde vem o tom imperativo e de que tudo está certo por parte de nossos governantes? Outro dia, ouvi do meu pai que sou utópico e idealizador além da conta. Ele me disse que desconheço o que é a política atualmente no país. Em suma, troca de favores e interesses em prol de algo desejado. Ele, empresário, ensino fundamental incompleto… mas formado pela escola da vida. Eu, jornalista, ensino superior completo e recém batizado na escola da vida. Conclusão? Sabedoria a gente ganha com o tempo. “Já dizia alguém nesses caminhos, filho: se a gente quiser, podemos com certeza reescreever um novo final. Talvez não verei o desfecho disso tudo… mas a sua geração, sim”.

Outro dia, conversava com uma amiga sobre as novelas brasileiras. Há sempre uma que se destaca; é certo que o Brasil desenvolveu nas últimas décadas uma linguagem própria e todo um repertório para fazer essas produções televisivas. Vingou, o mundo inteiro consome esse tipo de produto. Ela, 39 anos, viveu o período da transição da ditadura para a democracia. Eu, 25 anos, a chamada geração Y e que pouco lembra do movimento caras-pintadas e do fantasma da inflação. Me dizia sobre Vale Tudo, exibida no ano de meu nascimento, o quando a novela foi atual e pertinente para a época – de mudança, de novos ares, de esperança.

Leila e Marco Aurélio fogem do Brasil com Bruno (Danton Mello) e o executivo ainda dá uma banana para o Brasil. Ivan é preso pelo processo de corrupção. Heleninha consegue superar seus problemas de alcoolismo e Afonso, novamente com a ajuda de Sardinha, descobre que o bebê de Solange é mesmo dele e os dois podem viver felizes para sempre. – Retirado do site Teledossiê.

Encontrei alguns capítulos no Youtube. E a cena descrita acima, a que mais me marcou.

A música da abertura da novela, de Cazuza, é sugestiva, embalada pelo verbo terminar: terminar no sentido de que já deu; era preciso avançar, politicamente e socialmente. Nascia assim um novo egregóra para o país.

Brasil!
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim…

O Brasil é um país surpreendente. O seu povo também. O que me parece é que estamos acordando para tanta corrupção, burocracia e faltas que nos emperram e não nos deixam seguir. Mas fica claro aqui uma coisa. Quando conheci a multifunções Elke Maravilha, uma frase dela que ficou para sempre em mim: “Quando emoção sai do coração, vira bandeira, vira partido… não dá certo. A nossa única saída possível é exercitar o amor”.

Revoluções.

Engraçado saber como as prioridades mudam. Como é urgente criar novos espaços para concretizar os sonhos. Sempre tive um pé atrás com as orientações vocacionais nos tempos de pré-vestibular. A possibilidade de estabelecer metas para conquistar os sonhos nunca foi o meu foco – por isso, aversão a coachings e psicólogos. Como se planejar para a vida toda? Não me agrada. O único planejamento que faz parte do meu vocabulário é o aqui e o agora. Talvez está aí um motivo para tantas tempestades… mas ter a certeza que a liberdade está ao meu lado, bom, não tem preço. Tudo pode mudar e, sem querer ser papo de auto-ajuda, estar aberto ao novo é o segredo para não se tornar ranzinza tão cedo. Tudo, ao mesmo, agora: eu tenho a licença poética por ser geminiano. É assim mesmo, somos desconexos. Calmaria e agitação.

Estranho é perceber, com 1/4 de século, que o bacana não é idealizar coisas materiais ou concretas. Grande parte das pessoas tem a vida tradicional por demais: um emprego, um carro, um diploma; o aperto no orçamento para pagar as contas no fim do mês, alguma atividade cultural, a esposa, o marido e o filho. Longe de considerar essa lista o cúmulo ou que seja incorreto. A propósito, vejo que cada um tem um dom. Todos com sua maneira mais adequada para investir potencial e energia em algo. Quem sou eu para julgar? É que “só” descobri que nada disso é para mim, esses coisas repetitivas, feitas de forma quase mecânica, esperando um sim da sociedade… ou chegar lá! Eu prefiro nunca estar pronto, seguir como aprendiz. Talvez tenha muito ego e egoísmo nas palavras. Mas algumas revoluções que acontecem dentro da gente precisam ser externadas.

Para entrar e sair e refletir e fugir e voltar.
Para entrar e sair e refletir e fugir e voltar.
O filtro dos sonhos.
O filtro dos sonhos.
Com a licença poética.
Com a licença poética.