Banheiro de Artista

Loira, daquelas que não tem medo de jogar para trás os cabelos. Espiritualizada e que faz de sua cara uma forma de expressão. Se ficamos velhos, tudo bem. Mas ultrapassados, nunca!
Bem do lado da porta, uma teia de aranha. emaranhando, construindo a existência. O relógio não economiza em onomatopéias. Talvez é peculiar achar ponteiros em meio aos vapores do banho. Um espelho simples. Abre-se e um mundo de cores representadas em cremes, sabonetes e loções estão ao alcance. Um barbeador prateado que aparenta ser da década de 1950.
É logo no final do corredor. Divide o espaço com um quarto cheio de memórias fotográficas.
O papel higiênico é dos baratos. Mas é um glamour. Nunca pensei em conhecer de perto o banheiro de um artista. Simples em poucos metros quadrados. Encantador com suas paredes vermelhas pulsantes. De grande simbologia, um revolucionador de ideias.
Boa vida, de volta estou. É preciso viver de metáforas.