A fantástica faculdade de jornalismo: capítulo 3

A gente é condicionado a só reclamar. Faz parte do sistema. E muitas vezes esquecemos dos bons momentos que vivemos dentro da faculdade. Enfim, estou falando mesmo das amizades.

Almoçando hoje com uma grande amiga e editora de jornalismo, descobri que o ‘enguiço’ da faculdade e os momentos não produtivos devem ser superados. A vida continua. Por exemplo, quer vitória maior do que se formar hoje, com todos os problemas do Brasil?

A colação de grau. A festa de formatura. Ou melhor, a tão sonhada festa de formatura. Mas comecemos pela colação de grau, normalmente feita em um teatro da universidade. “Haja coração!” (…) Os familiares, os bons amigos. Todo mundo ali, comemorando uma conquista sua. Apesar dos pesares, valeu a pena. Você vai ver o quanto aprendeu nos últimos 4 anos (dentro ou fora de sala). Agora você tem duas escolhas: tornar-se um problema social brasileiro (desempregado) ou ser reconhecido pelo sistema (empregado ou freelancer ou pós-graduando).

Mas voltemos no capítulo da colação. Todos de beca. O momento é mágico e os discursos são apaixonados! “Quanta saudade vou sentir de você” ou “Ah, nós vamos nos encontrar sempre, né?” (…) Ainda como recém-formados, quanta inocência!

O friozinho na barriga começa nos preparativos. Como irei vestido? Quem vou convidar? Afinal de contas, reiterando, vão ser momentos mágicos e até os mais ‘turrões’ vão ceder: uma lágrima vai cair!

A fantástica faculdade de jornalismo: capítulo 2

Recordar é viver. Comprei um almanaque dos anos 1990. Quase nada de novidade, mas só para garantir que minhas memórias estarão ali, ao meu alcance, na minha biblioteca. Lembro-me que sempre fui tarado por livros. Mesmo que não os leia, eles estão ali, bonitos e como verdadeiras obras de arte. Um homem deve viajar. Viajei muito. Não só através de livros. Mas atenção, não sou usuário de drogas.

A primeira vez que fui a Tiradentes, em Minas Gerais, foi mágico. A mostra de Cinema. Menos de 150 reais na carteira para 5 dias que passaria lá. Fui sem ter nada marcado… fiquei em uma pousada, diária de 20 reais. Uma simpática senhora me recebeu. O quarto era pequeno, mas deu para improvisar. Cheguei a passear também em São João Del Rey. E em Itabira. Chapada Gaúcha. Serra das Araras. Raul Soares. Rio Casca. Guarapari. Ouro Preto. Itabirito. E por ai vai.

A maior parte do tempo estava em Belo Horizonte. Na Praça da Liberdade fiz fotos para um trabalho de fotojornalismo. Coloquei algumas fotos no flickr e no Youtube. Ganhei alguns elogios de pessoas fora da academia. Mas a professora falou que faltava humanizar o ensaio fotográfico. Mas, ora! O ensaio era sobre a arquitetura daquele lugar. Foi na cidade grande que comecei minha carreira. Aprendi o que é um “off”, uma “sonora” e uma “passagem” antes de sair para a prática. O meu texto sempre foi mais pro literário.

Quando era pequeno costumava a brincar de emissora de tv. Não era um menino tradicional. Em vez do carrinho, preferia câmeras, microfones e iluminação. Um dia resolvi que ia ser jornalista. E fui ser guache na vida.

Na vida, é bom todos nós termos um perfil jornalístico.

não serei o poeta de um mundo caduco. também não cantarei o mundo futuro. o tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente. ‘um cara que queria voar. foi perto do sol e se esborrachou. mas arriscou’. pode ser que sim. pode ser que não. eu nunca escolhi o que eu ia fazer na vida. sempre fui o escolhido. mas sou meu e não de quem quiser. queria ser motorista de ônibus. hoje sou multi funções. sei onde quero chegar e me preparo para isso. sou geminiano de 1988, signo da comunicação. mas era tímido. já não sinto tanta falta dos tempos de colégio. são ‘lacunas’ que foram preenchidas com o cotidiano. aprendi, na marra, que só é lutador quem sabe lutar consigo mesmo. quando perguntam sobre minhas qualidades, me enrolo. elas são muitas (modéstia). quase sempre coloco uma não-qualidade como qualidade. me contradigo. acho normal isso. não abro mão de falar bobagens. seriedade o tempo todo cansa. coleciono pequenas proezas. aos 19 anos fiz alguns leitores se emocionarem com uma crônica que escrevi. aos 18, viajei para o norte de minas para ser rondonista. aos 11 anos, consegui chegar ao final de mário world do super nintendo, em uma televisão sharp de 1990. conclusão: quando você é jovem, é uma lousa apagada. ai quando envelhece… o que você fez de si ta aqui ó, na cara. gosto de conviver com pessoas, de vitalidade, de beber cachaça, de namorar no inverno, do meu nome, de lembrar de coisas que ninguém viu, de belo horizonte, de minas gerais. não gosto de remédios e muito menos hospital. acredito que tudo é energia: eu, você, ele e ela. prefiro não estudar sob pressão. aprendizado é coisa séria e gosto de ler os livros calmamente. às vezes, o conforto nos deixa burro e corrupto. muito burro e corrupto. acredito que o problema do brasil está na raiz. as pessoas devem ser educadas, não instruídas. educadas, em casa. quando emoção sai do coração, vira bandeira, vira partido… (risos) nunca deu certo. eu tenho certeza que um dia tudo vai mudar. não para mim. não para você. o ser humano está aprendendo. agora, mais assertivo. estou aprendendo a dançar. gosto de tango, não tenho problemas em assumir isso. sou seletivo, exigente. priorizo a qualidade e o conteúdo. se o santo não bateu com algo, não adianta tentar. longevidade? não é defeito viver bastante. só não gostaria de ficar ultrapassado. gosto da minha vitalidade. estive pensando outro dia que o brasil tem uma possibilidade de integração que poucos têm. qual é a infinita possibilidade real? ai eu percebi: aqui judeu se dá com árabe e vão juntos ao centro de macumba. não é uma maravilha? as diferenças enriquecem. elas estão ai para contribuir e não nos separar. eu penso outra coisa: a nossa única saída é virar gente. e virar gente é exercitar o amor.

A fantástica faculdade de jornalismo

Tomates Verdes Fritos é um filme que deveria ser visto por todas as pessoas. Uma história suave, de emocionar até mesmo os mais machistas e durões. Resumindo em uma frase só, fala sobre o poder da amizade. Traz mistérios e nos faz pensar também que, “o tempo passa rápido”. Mas o que você fez com o seu tempo?

Outro dia estava me lembrando: fizemos um Oscar da sala. Chamou-se Irineu. Fechamos um restaurante na área central de Belo Horizonte. Uma produção muito bem feita pelos publicitários e relações públicas da turma. Uma colega comentou, “agora estamos parecendo gente”. Ela se referia a nossa ‘maneira’ de vestir. E para cair no clichê, jamais entendi tal expressão.

O salão, depois de todos os prêmios, era embalado por ‘Rehab’, de Amy Winehouse.  Noite de festa inesquecível. Lembro-me que na semana não tive tempo de me preparar direito para a festa. Peguei o meu melhor blazer e gravata e fui. Tenho problemas em dar nós em gravatas. Já acessei diversos tutoriais sobre isso no youtube. Mas nunca consegui fazer tal proeza. Quem consegue, deve ter uma grande habilidade mental.

Resolvi fingir que estava bêbado para ver a reação das pessoas. É incrível, mas qual o motivo de precisarem de álcool para serem felizes? Todos serelepes, me esqueci que somos ‘jovens em amadurecimento’. Uma taça de vinho vai. É bom para o coração. Descobri isso a pouco tempo, quando tive um encontro com duas amigas jornalistas. Uma delas é também nutricionista. Aprendi técnicas que poderei usar no jogo da conquista através da bebida. Primeiro: vinho adocicado pode causar dor de cabeça. Segundo: para degustar o vinho, copos especiais… tudo para sentir melhor o aroma. E por ai vai.

Me surpreendi quando questionado, “me fale quem você colocaria na capa da Vogue”. Respondi, “algo relacionado a moda… mulheres tratadas com photoshop, futilidades, horóscopo, enfim (..)” Levei ferro. Quem estava na capa da publicação? Ruth Cardoso. E uma edição só para ela. Uma espécie de perfil. Pensei, “o editor da Vogue deve ter muito peito para fazer isso”. E Ruth ainda falava da imprensa. E olha, coitado de nós, jornalistas. Temos ainda muito o que aprender: falta arte, literatura, política, economia e, principalmente, criatividade misturado ao lado humano em nossa formação.

Aprendi jornalismo não com os professores em sala de aula e suas aulas, digamos, recheadas com falta de assertividade. Mas a faculdade foi fundamental? Foi. Me gerou oportunidades. Mas a lição número 1? Aprendizagem e conhecimento eu encontrei do lado de fora da academia. Foi conversando com taxistas. Visitando comunidades carentes de Belo Horizonte. Conhecendo problemas do dia a dia dos cidadãos. Foi com psicólogas que me contaram sobre posições editoriais e a cada encontro de ‘bar’ regrado a muito suco natural e comida saudável. Foi fazendo coletivas com o prefeito da cidade e o governador do estado. Foi quando conheci as riquezas do norte/noroeste de Minas Gerais. Ou seja, foi quando resolvi ver a realidade que me formei. E por completo.

Eu sou adepto do novo. Posso ficar velho. Mas ultrapassado nunca.  Quiseram me empurrar que toda reportagem deve ser direta, objetiva, com lead e fotos padrões. Eu quis ir além e colocar toda minha criatividade em minhas matérias. Fiz o que todo mundo deve fazer: dar o melhor de si.

Errei muito. E aprendi que não adianta me culpar por meus erros. É natural e faz parte do aprendizado. Mas resolvi não ficar comendo mosca para sempre. Readaptação é palavra-chave. Percepção também. E outras mil.

Ou seja, se for para ser a lição número 2, nada adianta se você tem preguiça e não tem vivência.