O passar do tempo.

Só por algumas vezes eu permito a me observar e encontrar alguma beleza na minha própria imagem. É que quando achamos que temos alguma, aplica-se a possibilidade de ser um tanto adepto do narcisismo. Não é o meu ideal. Mas é que, vez ou outra, gosto de ficar admirando como o tempo me moldou e vai me moldando. As primeiras rugas, as outras marcas de expressão, o cabelo torto com redemoinho. A visão afetada pelo astigmatismo e os óculos um tanto desajeitados na face. É essa beleza que me atrai, conquistada pelo passar dos anos e com muito mérito.

Vejo e sinto os fios: um reparo pequeno, tosado com grandes cuidados… a diferença é grande: menos costeleta, menos cabelo na testa. Resultado? Visagismo capaz de mudar até mesmo a fisionomia. Saudades dos cabelos encaracolados. De ter permissão para fazer quantas voltas quiser e brilhar ao sol. Hoje, estão padronizados para uma vida extremamente comercial.

Eu gosto do jeito que os anos passam para mim… São generosos.

Da vontade pulsante de ainda permanecer jovem e amadurecer apenas o necessário. Desse jeito estabanado de ser. Da inconstância. É assim: descobrir mais um pedaço da identidade a cada ano. É prazeroso.

Trabalhado pelo tempo, em P&B. Assim se vão os anos, os amigos e os planos.
Trabalhado pelo tempo, em P&B. Assim se vão os anos, os amigos e os planos.

Carta escrita e não entregue.

Sim, eu tenho um grande encanto pela palavra escrita. Também pela lua. Mas agora, da janela do meu quarto, não a vejo. Está descansando, serena, entre as nuvens carregadas de chuva. Você já observou ou percebeu que as árvores formam portais? É isso mesmo. O que caracteriza um portal? Bom, as folhas tem que balançar alegres. O ambiente é obrigatoriamente todo verde: grama no chão, horizonte de montanhas. Se for o verão, melhor. É vida que pulsa. Ah, não vale paisagem de cidade grande. Eu tenho os meus, escolhidos a dedo e com muita ternura. São duas árvores próximas a um riacho em um clima típico de Minas. Lá, a água tem cheirinho de chá gelado quando amanhece. As pedras não parecem ser rígidas ou duras: são verdadeiros mantos, travesseiros para os pés.

Me perdi novamente. Tenho que falar sobre os portais. Pois bem. Quando você avistar, ao andar distraída em um dia no campo, duas árvores que se encontram, se entrelaçam naturalmente formando um caminho, fique atenta. É o sinal que precisa para se transportar… Depois basta que imagine. Se pergunte para onde seu ego quer ser transportado. É a viagem mais barata e bacana que pode fazer. Medite! Assim estará com você mesma, conhecendo caminhos pessoais nunca antes descobertos.  É o que chamo de essência. Todo ser humano tem uma. Encontra-lá é a metade do caminho para a felicidade. (Não querem uma receita para a felicidade? Aí está!)
A vida deveria ser como a primavera.
Ao se aproximar o fim de ano, costumo escrever cartas para meus amigos. Um exercício para estar em dia com nossas outras metades, espalhadas por aí. E já que você gosta de receber uma, aí está. Daqui, de um novembro de 2012, desejo a você parcimônia e amor para seguir. Foi muito bom conhecer você. Obrigado pela aprendizagem e atenção dedicada a mim. Deixo aqui um sentimento nobre: a gratidão.
Encantado,

Tudo novo de novo

Tire um dia da semana para pensar sobre as infinitas possibilidades que você tem em mãos; pode ser um sábado ou domingo. Não importa se é rico ou pobre. O que importa mesmo é que você esteja aberto, ou seja, entenda que não é estátua e que pode renascer dia após dia. Espero que busque profundamente o significado do verbo renascer.

Que tal então ouvir uma música? Pode ser essa,

Vamos começar
Colocando um ponto final
Pelo menos já é um sinal
De que tudo na vida tem fim

Vamos acordar
Hoje tem um sol diferente no céu
Gargalhando no seu carrossel
Gritando nada é tão triste assim

É tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos

Vamos celebrar
Nossa própria maneira de ser
Essa luz que acabou de nascer
Quando aquela de trás apagou

E vamos terminar
Inventando uma nova canção
Nem que seja uma outra versão
Pra tentar entender que acabou

Mas é tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos

É tudo novo de novo. Vamos nos jogar onde já caímos, mas sem repertir os mesmos erros. Vamos fazer o outro lado do poder. Para isso, não fazer parte de jogos de poder é essencial.

INDICADORES CULTURAIS

Ator por formação, o carioca Paulo Roberto Corrêa de Araújo participou, nos anos 80, do coral Graganta Profunda, que se partiu e deu origem ao grupo de rock Inimigos do Rei, com o qual o rapaz enfim conheceria o sucesso em 1989, já rebatizado de Paulinho Moska. (Fonte: Almanaque anos 90, Silvio Essinger)