Luiza.

Luiza tem sobrenome italiano e parentesco com um ator e humorista famoso. Um doce de pessoa, de calma excepcional. Calculava todos os passos antes de chegar na sala de aula – ensaiava, involuntariamente, como seria sua trajetória até sua carteira… como abriria o caderno e como seria o intervalo. Sentava bem ao fundo com outras duas amigas. Era a típica tímida, com direito a todos os estereótipos de quem não tem a comunicação como ponto positivo. Quando apresentava trabalho na faculdade, falava baixo. Tão baixinho que certa vez o professor perguntou para o aluno ao lado se ela estava com algum problema.

 – Brigou com o namorado?

Desviava o olhar… pensava muito para argumentar e não escondia o desconforto ao falar em público. Um fato: não queria chamar atenção. Talvez nem desconfiava que seu próprio jeito de ser atraía todos os holofotes – mesmo de forma involuntária, sem aquele esforço que o aluno faz para ganhar os méritos de um destaque acadêmico do semestre.

Quando fazia frio, ia de vestido. No calor, preferia calça jeans e sapatos all star. Usava óculos e, por isso, um tom intelectual tomava conta de sua energia pessoal. O bom é que se transformava nas festas. Sim, eram situações duais… e sem ser geminiana. Na verdade, deixava sair tudo aquilo que reprimia: uma grande mulher, linda e inteligente. Até se arriscava beber alguns copos de refrigerante e dançar como se ninguém estivesse assistindo. Seus passos, em dias mais descontraídos, inspiravam segurança.

Luiza declarou, algumas vezes, que não sabia o que queria ser profissionalmente. Até se encontrar na fotografia (E numa dessas, no laboratório, abri um de seus arquivos sem permissão. Queria saber quem era ela. Uma esfinge. Encontrei sensibilidade). Dias atrás, a procurei na rede social. Continua linda. E, pelas fotografias, parece que descobriu sua verdadeira essência. Se mudou do país: colocou em seu perfil uma foto da infância; outra de uma paisagem europeia e um registro dela mesmo… olhando para o além.

Talvez não pudesse prever que a vida assim seria. De fases. Cada uma ao seu tempo, tendo parcimônia e sabedoria para encará-las bem ao jeito Luiza.

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