A reinauguração do Cine Brasil em Belo Horizonte.

Jornalistas, em noite de reinauguração, entram pela porta lateral.

Esperam num corredor frio e com algumas mesas e cadeiras – a não ser que você seja da TV Globo (que tem espaço reservado e cativo nos andares em que o restante não pode ir). Pouco importa. É logo na entrada que estão os colegas de profissão de outras emissoras e jornais. O fotógrafo checa a lente da câmera; o cinegrafista sorri para a moça bonita. Há um clima de descontração antes da chegada da assessora de imprensa para repassar informações sobre a solenidade.

O Cine Brasil agora se chama Cine Theatro Brasil Vallourec, pertencente a empresa Vallourec Tubos do Brasil S.A., que fabrica tubos de aço.  É o gigante da praça Sete. O prédio é da década de 30, com 7 andares. Point de Belo Horizonte no século passado. Funcionou assim até 1999… e ficou durante quase 15 anos fechado. Ao ser comprado pela Vallourec, passou por reforma. O que trouxe algumas surpresas. Em uma das paredes foi encontrado um quadro, com 200 metros quadrados, em estilo art déco, coberto por 5 camadas de tinta.

Agora, vida nova. O Cine ganhou ambientes dedicados à cultura. Tem lugar para apresentações teatrais, musicais e de cinema. Para a noite de gala, de reinauguração, a música de Milton Nascimento. A atriz Letícia Sabatella leu algumas frases de escritores e personalidades para homenagear Cândido Portinari. É que o local recebe a exposição “Guerra e Paz”, um dos mais notórios trabalhos do pintor. Os painéis são grandes: dois metros de largura por cinco de altura. Antes de serem montados em terras mineiras, passaram também por São Paulo e Rio de Janeiro. Belo Horizonte é a última cidade brasileira a recebê-los este ano. Depois vão seguir para uma exposição na França e, logo após, retornam para as Organizações das Nações Unidas, nos EUA.

Aliás, os quadros foram um presente do Brasil à ONU.

Cândido Portinari nasceu em 1903, numa cidadezinha de São Paulo. Mostrou que tinha vocação artística ainda criança. E nunca deixou essa paixão. Quando recebeu o convite para fazer “Guerra e Paz”, os médicos já haviam proibido Portinari de trabalhar com tintas. Uma tentativa para amenizar um quadro de envenenamento, causado pelo produto. Ele, correndo e assumindo todos os riscos, topou o desafio. O resultado? Uma das maiores e mais importantes obras que já realizou.  João Cândido Portinari, na noite da reinauguração do Cine, reforçou para a imprensa o quanto estava feliz.  O Filho do pintor Portinari revelou quanto trabalho deu para trazer as peças ao Brasil.

Espaços de Portinari no Cine Brasil:

2º andar
Painéis Guerra e paz – bem no palco do Grande Teatro. Eles foram ‘revelados’ ao público durante a reinauguração do Cine;

3º andar
Espaço para realização de oficinas;

5º andar
Releituras sobre o pintor Portinari. Os bordados do grupo Matizes Dumont, de Pirapora, norte de Minas, e esculturas de Sérgio Campos;

6º andar
Uma linha do tempo da vida e obra de Portinari. Ambiente interativo;

7º andar
Documentos e fotografias que mostram como foi o processo de encomenda e doação dos painéis. No local também existem alguns objetos pessoais que eram do pintor.

Serviço:

  • Aberto ao público de terça-feira a domingo, das 10  da manhã às 7 da noite. Até novembro.
O novo cine.
O novo cine.
Guerra e paz.
Guerra e paz.

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