Os 15 anos da TV Universitária de Belo Horizonte. Podemos comemorar?

A TV Universitária de Belo Horizonte completa 15 anos em 2013. Ainda é adolescente. Alguns colegas utilizariam este espaço como um verdadeiro muro de lamentações ao falar da emissora (que na verdade é composta por várias instituições de ensino: PUC TV, TV UFMG e UNIBH TV). Com o passar do tempo, ela foi ganhando formas e estruturas diferentes. Numa visão bem pessoal, prefiro compreender que passou por adequações estabelecidas pelos gestores das universidades. E por N fatores: modernidade, tempo, custo, gastos, investimentos e por aí vai.

Eu fiz parte da PUC TV durante 4 anos. Ao entrar, tive a possibilidade de aprender realmente o que é jornalismo – sem ter aquele caráter de laboratório. Fazíamos um jornal diário e ao vivo.  Eram reportagens factuais e produzidas para o extinto jornal “15 minutos”, também veiculado na TV Horizonte. Cheguei como estagiário voluntário. Sai como  repórter contratado. Sou muito grato aos profissionais que me ensinaram e pelas oportunidades que tive. Também sou completo por causa da TV universitária: fui apurador, produtor, repórter, apresentador e editor. Vivenciar tudo isso ainda como estagiário foi um grande diferencial. O trabalho vinha sempre com questões pertinentes: como abordar um determinado assunto sem sensacionalismo, a questão da ética, a prestação de serviço, como construir uma boa matéria com boa apuração, o cuidado com o texto, o desenvolvimento do estilo, o contato com o cotidiano da cidade… Coisas que uma sala de aula, muitas vezes, não ensina.

A PUC TV passou por várias transformações. Até o ano de 2006 contava com 3 telejornais – o “Primeira Edição”, o “15 Minutos” e o institucional “Espaço PUC”. Por redução de gastos, sobraram apenas os dois últimos. E em 2011, ficou na grade apenas o informativo sobre a universidade. Nascia a partir daí uma nova fase, com novos programas. O “Revista” – programa semanal com notícias diversas e o “Giro”, boletim exibido na inter programação da emissora. Tempos de vacas magras, onde a emissora apostou na parceria com o Canal Futura para tentar salvar sua reputação com a universidade. Nesse período, foram vários problemas. O caso “Cacete de Agulha”, por exemplo.

 

Depois que o vídeo foi postado na internet, a PUC Minas convocou uma ‘CPI’ para investigar o caso. Houve pressão para que os funcionários da emissora ‘denunciassem’ os responsáveis pela ‘gafe’. Uma pena. A universidade não soube utilizar o momento para alavancar ainda mais as doações de sangue. O viral tinha ganhado a internet. A solução seria agir com mãos de ferro? A PUC sempre contou com bons especialistas na área da comunicação. A visão tradicional deixou que este caso se transformasse em uma ovelha negra para a instituição. O rapaz no vídeo, segundo funcionários, levou 5 mil da universidade na justiça por danos à imagem.

A emissora já foi vista como o patinho feio por alguns professores – que chegavam até a pedir o seu fechamento. A crise continuava em vários âmbitos: processos na justiça, programação baseada em reprises, a falta de divulgação da emissora na própria universidade. Em outros tempos, a PUC TV realizava palestras. Contou com programas educativos – e não só jornalísticos. Tinha linguagem jovem. Falava também sobre economia, publicidade, música. Ganhou prêmios. Foi a TV do ano. Uma ferida que ainda custa a cicatrizar.  Mas que vem sendo trabalhada. Iniciativas como os programas “Hipótese” e “Reconhecimento” são os primeiros resultados dessa recuperação.

Hoje, na minha opinião, é a TV UFMG que se destaca. A emissora tem o seu jornal diário, o “Circuito UFMG”… além de programas que priorizam a reflexão, a informação e a experimentação. E viu sua estrutura crescer. Não sei se é pela gestão. Fato é que a emissora está cada dia mais interessante, apostando em uma identidade visual moderna e em uma linguagem agradável ao traduzir os assuntos da universidade. Nessa ‘nova’ fase, sai como pioneira. Exemplo para as outras emissoras universitárias regionais e de todo o país.

Nesses 15 anos, a TV universitária formou importantes profissionais para o mercado. E ainda forma. Porém, fica o alerta: precisa de uma administração mais eficaz em alguns itens fundamentais. Menos ego e mais experimentação. E outra: quando passa a ser exibida em sinal aberto?

É preciso pontuar, rever o passado e entender os erros para continuar. Sem ressentimentos. Aparando alguns defeitos. Aqui fica um crítico da emissora e um grande admirador. Torço para que os próximos 15 anos sejam de transformações… Que a TV Universitária continue sendo o espaço de formação, de respiro e de alternativa à TV comercial.

Vida longa!

Programa “Estação”, os 15 anos da TV Universitária (em 4 partes!)

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