Sobre o ato de dirigir nas grandes cidades brasileiras.

Dirigir em Belo Horizonte se tornou uma aventura – que nem pode ser considerada daquelas que você experimenta em um parque de diversões. Um único motivo para isso. No final, nem tudo fica bem (no parque, a adrenalina é saudável). Como se fosse um campeonato: longe do esportivo, que incentiva o espírito de equipe, crescimento pessoal e que, em alguns casos, há premiações. No torneio do trânsito, muitos motoristas parecem ter prazer em não praticar a gentileza urbana. Aceleram para bater no outro e para atropelar pessoas. Não sabem esperar. Complicam. Esquecem a abençoada da seta/pisca/sinal e acreditam cegamente que o outro tem o poder da adivinhação. Fora o festival de palavrões, ânimos acirrados, gritaria, buzinas e mais… Direção defensiva? Ficou nas apostilas teóricas dos cursos de habilitação.

Não quero ser hipócrita: claro, quem nunca praticou alguns dos tais erros no trânsito? É a cultura dos pedestres e motoristas! Falta educação e mais campanhas educativas pra mudar? O que quero destacar também é a loucura ao dirigir; o caos silencioso instaurado nas grandes cidades brasileiras (e particularmente em Belo Horizonte) e que vai definhando quem precisa estar nas ruas. Hoje mesmo vivi uma experiência surreal, de um senhor me seguir, piscar o farol a todo momento, buzinar, acelerar nas estreitas ruas do bairro Santo Antônio para me falar que a juventude incomoda. Sendo bastante sincero, não o fechei, nem cometi nenhum erro que justifique a atitude, pra perder a cabeça do jeito que foi. Tive que parar meu veículo em plena Avenida Nossa Senhora do Carmo e pedir calma para ele. Repito, um senhor que aparentava ter uns 60 anos, irritado pelo fato de a juventude ser irresponsável, sem regras e limites. O senhor esperneava, esbravejava e batia as mãos com força no volante. Eu, quase sem voz, não acreditava na cena e só pedia serenidade. Pensei que ia sacar uma arma e atirar. Levei alguns bons minutos para ter coragem de ligar o carro e prosseguir. Outro dia, uma senhora em uma das ruas do bairro Sion estacionou na minha frente. Desceu do veículo e foi xingar uma caçamba de lixo. Ela parou todo o trânsito para reclamar com uma caçamba – que aparentemente estava em um local correto, identificada e sinalizada; sem trazer retenções. A mulher não respeita a parada obrigatória, entra na rotatória sem olhar e quase atropela três crianças que estavam na faixa! Os pedestres e motoristas a alertam. E recebem um dedo do meio como resposta.

Venho notando que as reclamações são frequentes. De gente sendo assaltada no trânsito, de acidentes, de congestionamento, de falta de amor ao próximo. Um mau humor generalizado. Não sei se é ingenuidade. Mas, cara, que inferno é este em que estamos, como chegamos até aqui e como vamos continuar desse jeito pra pior?

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s