despretensioso

Tenho coração de viajante e espírito de uma família tradicional. Eu pertenço ao mundo. Mas é difícil dispensar um cantinho que seja meu. Prefiro as paredes verdes. Em tempos de cinza, elas são repouso para o olhar. Já tentei descrever no papel a magia de uma boa conversa com os amigos. Descobri que isso não é para ser descrito: é necessário sentir. Viajar é um dos verbos mais fortes que existem. Quebra preconceitos e constrói horizontes. Busco qualidade de vida. Invejo os boêmios e quem samba bem! Um dos exercícios mais divertidos dessa vida é tentar fazer o quadril requebrar. Não é para qualquer um, ainda mais quando se é homem. Vivendo com paixões platônicas, inventando mundos particulares: sou feliz. Prazer é cozinhar. Metódico ao arrumar a mesa para o almoço. Mas sempre despretensioso.

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Um comentário sobre “despretensioso

  1. Ana 27/07/2011 / 9:13

    Olá amigo de fé. Finalmente encontrei alguem q pensa como eu. veja isso: Um momento iluminado de Marcos Viana e Leticia Sabatela

    A Flresta

    Na floresta não existe nem rebanho, nem pastor
    Quando o inverno caminha, segue seu distinto curso como faz a primavera
    Os homens nasceram escravos daquele que repudia a submissão
    Se ele um dia se levanta, lhes indica o caminho, com ele caminharão
    Dá-me a flauta e canta!
    O canto é o pasto das mentes
    E o lamento da flauta perdura mais que rebanho e pastor

    Na floresta não existe ignorante ou sábio
    Quando os ramos se agitam, a ninguém reverenciam
    O saber humano é ilusório como a cerração dos campos que se esvai quando o sol se levanta no horizonte
    Dá-me a flauta e canta!
    O canto é o melhor saber, e o lamento da flauta sobrevive ao cintilar das estrelas

    Na floresta só existe lembrança dos amorosos
    Os que dominaram o mundo e oprimiram e conquistaram, seus nomes são como letras dos nomes dos criminosos
    Conquistador entre nós é aquele que sabe amar
    Dá-me a flauta e canta!
    E esquece a injustiça do opressor
    Pois o lírio é uma taça para o orvalho e não para o sangue

    Na floresta não há crítico nem sensor
    Se as gazelas se perturbam quando avistam companheiro, a águia não diz: ‘Que estranho’
    Sábio entre nós é aquele que julga estranho apenas o que é estranho
    Ah, dá-me a flauta e canta!
    O canto é a melhor loucura e o lamento da flauta sobrevive aos ponderados e aos racionais

    Na floresta não existem homens livres ou escravos
    Todas as glórias são vãs como borbulhas na água
    Quando a amendoeira lança suas flores sobre o espinheiro, não diz: ‘Ele é desprezível e eu sou um grande senhor’
    Dá-me a flauta e canta!
    Que o canto é glória autêntica e o lamento da flauta sobrevive ao nobre e ao vil

    Na floresta não existe fortaleza ou fragilidade
    Quando o leão ruge não dizem: ‘Ele é temível’
    A vontade humana é apenas uma sombra que vagueia no espaço do pensamento e o direito dos homens fenece como folhas de outono
    Dá-me a flauta e canta!
    O canto é a força do espírito e o lamento da flauta sobrevive ao apagamento dos sóis

    Na floresta não há morte nem apuros
    A alegria não morre quando se vai a primavera
    O pavor da morte é uma quimera que se insinua no coração
    Pois quem vive uma primavera é como se houvesse vivido séculos
    Dá-me a flauta e canta!
    O canto é o segredo da vida eterna e o lamento da flauta permanecerá após findar-se a existência

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