Fragmentos descontínuos de tempo in my mind
“O conhecimento não está nos livros”. Hoje eu mudei minha frase no MSN – O tamagushi do século XXI, bichinho virtual. Numa tarde de domingo, busquei a filosofia para tentar explicar qual é a relação entre o feijão cozido e a tecnologia. Não consegui. É um anagrama, me falaram isso em uma aula de fotojornalismo. Busquei imagens, fatos, livros, teorias. Não pude. Tentei supor a razão de uma chuva de granizo. But anyone care. Lembrei que a moda é falar inglês, I don’t like so much this language. Je prèfere French, but I don’t know. É preguiça também de estudar, pegar um livro e praticar. Pessoas são bem mais interessantes para ensinarem novas línguas. Hoje acordei às 6h30 da manhã. Não foi por causa de um livro mas sim por uma menina, a minha menina, sendo possessivo e esquecendo da boa educação. Sonhei que ela estava com outro cara. Tudo pareceu muito real, eu estava lá no corredor da faculdade quando ela passou, me ignorou e lascou um beijo. Estático eu fiquei. De repente, acordei. Não acreditei. Ofegante. Desolado. Corri e liguei meu companheiro PC, chorei. Em uma pasta achei uma foto dela. Contemplei cada detalhe. Lembrei dos tempos em que pedia abraços, apertos de mão e beijos na buchecha dela. Depois do susto, entrei no MSN: mas não a vi por lá. Imaginei que ela estaria do meu lado, compartilhando comigo meus problemas e alegrias. Daí entendi a relação entre o feijão e a tecnologia. Entendi que o namorinho de portão não existe mais e que talvez seja muito conservador ainda. Preciso de baladas urgente. Misturar funk com axé e esquecer minha paixão por MPB e meu preconceito com o reprtório musical atual dos jovens. Depois quis compreender a costura da vida. Entender as celebridades, ver Silvio Santos. Resolvi colocar os pés no chão e só por hoje, colocar as cartas na mesa e entender minhas reais possibilidades com o mundo. Quando a noite cair, quero ver entretenimento. Vou colocar na RedeTv! e relembrar os momentos de ensino médio, em que eu era mais sintonizado com velhos amigos e sabia um pouco mais sobre minhas essências. Coloca um DVD do Chaves aí que hoje eu não quero mais pensar em nada, nem na ressaca moral do último sábado, tampouco de minhas derrotas amorosas. E que a profecia que imaginei para minha vida cumpra-se – Isso se eu souber compreender o tempo e as pessoas que estão comigo.
Um quê de peculiaridade
É engraçado. Todos nós temos um sentimento forte sobre nossa cidade natal: seja ele de raiva, de carinho ou de nostalgia. Em nosso RG, o registro é da cidade em que você nasceu. As cidades natais contam de tudo um pouco: para as mais elegantes, praças. Para as mais humanas, pessoas humildes. Para as mais agitadas, shoppings e boates. Para as mais tradicionais, construções antigas.
Todas as cidades têm o seu quê de peculiaridade. Outro dia, conversando com uma amiga, descobri o porque de chamarem Barbacena, em Minas Gerais, de BQ. É a abreviação para Barbacena Querida. BQ? Normalmente Barbacena é conhecida, no cenário brasileiro, como a “Cidade das Rosas” ou ainda como a “Cidade dos Loucos” – antigamente, manicômios se instalaram na região, pois acreditava-se que devido a temperatura baixa de BQ, os “loucos” ficariam mais quietos, facilitando assim, o tratamento. Pensar resumidamente Barbacena em uma situação, para mim, é encontrar os amigos para casualmente conversar e se aquecer com chocolate. Doce cidade do Campos das Vertentes, o frio de Barbacena é confortante.
Assim como BQ está para Barbacena Querida, BH está para Belo Horizonte. Da minha casa, tenho visão única. E acredito eu, uma das visões mais bonitas de Belo Horizonte, minha cidade natal: Vejo estações de Metrô, Universidades, casas, vilas, favelas, torres de televisão. Vejo a Serra do Curral, o Aeroporto da Pampulha, o jovem bairro Buritis, o Cafezal. Em uma andada pela Praça da Liberdade, prédios antigos, com arquitetura inexplicável. Pausa para o almoço. Almoçar no Edifício Maletta é grande peculiaridade: por lá, grandes nomes da música brasileira se encontraram – É o Clube da Esquina. Peço um prato típico e observo um casal de namorados discutindo, em uma mesa na Cantina do Lucas, ainda no Maletta. De repente, a música “Um girassol da cor de seu cabelo” na voz de Lô Borges, começa a tocar.
“Vento solar e estrelas do mar
A terra azul da cor de seu vestido
Vento solar e estrelas do mar
Você ainda quer morar comigo?”
Foi cena digna de cinema: a discussão do casal resumida em um beijo e em frases como, “Você ainda quer casar comigo?”, e no clássico “Te amo”. Depois de ir no banco, pegar algumas fotos que deixei para revelação em uma loja, caminho em direção à Praça Sete. O sol começa a ficar fraco, o relógio aproxima-se das seis da tarde. Caminho rapidamente por um desvio da Igreja São José e ao fundo vejo as grades verdes do Parque Municipal. Recordo-me, rapidamente, dos meus tempos de criança: domingo era dia de passear na Feira Hippie e se divertir nos brinquedos do Parque mais charmoso de Belo Horizonte. Já em um ponto de ônibus da Avenida Amazonas, me perco na diversidade: são tantos barulhos, cores, movimentos… Tudo isso é sinal da efervescência de Belo Horizonte. Mais um dia se foi na cidade. Atualmente vejo BH (e não cansando de reiterar, minha cidade natal!) como a Cidade Bondosa. E não como a Cidade das Alterosas. Bondosa, por acolher pessoas de diversas culturas, de outros estados, de cidadezinhas do interior de Minas. Bondosa, por que o clima de vizinhança ainda prevalece. Bondosa, por n razões. Se eu pudesse resumir BH em algumas palavras, colocaria o “uai”, “trem”, “um tiquim, um pedacim, um tantim”, e certamente acrescentaria algumas passagens de uma música do Tia Nastácia sobre BH:
“Bondosa
Bondosa era tão longe
Tão longe ouro distante, distante todas as serras
num Belo Horizonte
Hoje o sonho longe, onde moro é perto
Realizo a vida, Indo aonde quero
zoando quem não sabe, onde sol se esconde
nada disso importa,
tudo é horizonte”
Sendo assim, resumo BH. Mas, veja bem, não defino o que é a cidade Belo Horizonte. Como já foi cantado, definir BH são “coisas que a gente esquece de dizer…”
Soneto de Nostalgia
Um dia chegamos em um determinado ponto de nossas vidas que temos que fazer um balanço. E este momento chega para todos: Vejam só, eu, um jovenzinho de quase vinte anos. Nasci em maio e segundo a astrologia pertenço ao signo da comunicação – sou geminiano. Quando era criança queria ser motorista de ônibus. Tinha medo de helicóptero. Adorava meu travesseirinho do Cascão da Turma da Mônica. Desde sempre, adorava comer massas – nhoque, macarrão, lasanha. É tradição da minha família, descendentes de italianos. Acreditava, inocentemente, nos comerciais da TV. “Panela Penedo cozinha até pedra” – E eu, imponente dizia, “Mãe, compra Penedo e faz sopa de pedras para mim?” Sou de transição: 23 de Maio de 1988. Nasci na década de ‘80, mas minhas lembranças maiores são da década de ‘90. A melhor excursão da minha vida foi ao Detran, onde havia uma cidade de mentirinha e onde carros eram de bicicleta. Me lembro que assistia muito Chaves. Adorava pão com presunto. Domingo era dia de ir na casa de parentes. Adorava meu avô, meu Limãozinho, como o chamava. Avôs e Avós são tudo de bom. Adorava ficar deitado no colo da minha avó. Em um natal, ganhei um ônibus de brinquedo – era o máximo! Sou a criança mais feliz do mundo! E a geração atual que me desculpe, mas não tenho vergonha em admitir que acreditava em Papai Noel. Era fascinado com mágica: Meu tio uma vez fez um truque e fingiu que tirou o dedo dele. Eu fiquei anos e anos tentando descobrir como ele fazia isso. Tenho muitos tios. Me lembro que um desses trazia caixas e caixas de biscoito bauducco para mim. Uma vez, pedi a minha madrinha uma mochila marrom com rodinhas. Ela tinha me prometido me dar no natal. Me deu uma mochila marrom mas sem rodinhas. Tinha ficado maravilhado. Mamãe era professora, mas nunca tive a sorte dela dar aula para mim. Adorava quando ela brigava comigo, exigindo capricho em meus cadernos. E quando veio meu irmão? Como assim, eu não vou ser mais o centro das atenções? Fiquei enfezado! Mas no fim no fim adorava a idéia: Mamãe passava tardes comigo por que eu queria ouvir meu irmão dentro da barriga dela. E eu lá atento com o ouvido: mas ele não vai se mecher mais não? Desde pequeno, sempre tive a companhia de minha prima. Éramos Tom e Jerry. Ela uma vez teimou comigo que a gordurinha da carne de boi era boa para a saúde. Eu, cabeça dura, dizia que não. Ela, para mim, sempre foi exemplo: três anos mais velha, com o sonho de ser médica e cdf. Sempre quis aprender a soltar papagaio. Papai nunca deixou. Prefiria brincar de bola de gude comigo do que soltar papagaio. E eu adorava. Achava tão legal – muito melhor do que papagaio! Aos poucos ia crescendo. Tinha crescido. Minha adolescência foi tranquila: tudo teve seu momento certo. Sempre apostaram em mim, sempre fui um dos referências em minha família. E não podia decepcionar. Acredito que não decepcionei. Uma boa observação: depois que descobri que não queria trabalhar como motorista, descobri que queria ser jornalista. É algo mais forte do que eu. Há algo em mim que insiste em dizer: acredita no jornalismo. Você nasceu para isso. Sempre fui muito tímido externamente. Internamente, arquitetava: Já desejava as menininhas da minha sala de terceiro período pré-primário. Mas sempre fui bobão, adepto não-garanhão em relação aos amores: Meu primeiro namoro só aconteceu em 2001, na sétima série. E não fui eu quem tomou a inciativa. Em 2005, iria me formar. Tempos de vestibular. Não estava aguentando o tranco: escola pela manhã, cursinho à a tarde e mais estudo á noite. “Sander, tá tudo bem? Você pode dar um tempo se você quiser nos estudos” – Mamãe insistia. Não! Nunca fui de desistir. Mesmo que estivesse muito cansado, me recusava. Resolvi apostar em mim mesmo e passei no vestibular – que não é uma das minhas maiores vitórias.
Na verdade, uma das minhas maiores vitórias são meus amigos, minha família. Hoje, se estou aonde estou é por causa de um conjunto de pessoas. Elas me ajudaram em meu amadurecimento, em meu crescimento pessoal. Me deram força, me ajudaram nos momentos mais críticos. Brigaram comigo, porque gostam de mim. Alguns não tenho mais contato. Para outros amigos, pouco contato. Com os novos amigos, novas conquistas. Eu acredito muito neles. São para mim, minha essência. Alessandras, Bárbaras, Camilas, Cristianos, Daniels, Danielas, Déboras, Elisangelas, Natálias, Rodrigos, Fábios, Anas, Marcelos, Fatines, Priscilas, Patrícias, Verônicas, Helenas… A minha fala de Muito Obrigado. Esteja onde eu estiver e onde vocês estiverem.
Um dia, eu só queria reviver meus momentos de quando era criança. A simplicidade de um presente, a simplicidade de um gesto e a inocência de acreditar em publicidades da TV. Eu me recuso, às vezes, de acreditar que o mundo é cruel. Eu prefiro a simplicidade, as verdadeiras pessoas. Eu prefiro acreditar, que um dia, o mundo vai estar bem. Desculpem-me a utopia. Mas precisamos também de viver de sonhos. “E sonhos não envelhecem.”
“É preciso, ter força, ter garra, sempre!”
Mini – Ode a turma de Comunicação Integrada
Sapatos desarrumados, o despertador toca. Faz frio e um breve aquecimento antes de ir tomar banho é necessário. A chave da porta sumiu. O atraso é presente. Uma última pausa para tomar café e pentear o cabelo. O trânsito hoje na rotatória está como sempre, terrível. As aulas já estão no final. Prova disso, prova daquilo e alguns seminários. A próxima festa será no final de semana. Há um clima de talvez no ar. Talvez faça jornalismo, talvez faça Publicidade, talvez faça Relações Públicas. Mas, talvez, não faça nada.
O futuro é inseguro, por isso estamos aqui. Certo que não haverá sala tão peculiar quanto a nossa. Pensamentos. Idéias. Ideais. Pa-ra-le-le-pí-pe-do. Cloaca. Somos diferentes. Razões diferentes. Universos diferentes. É uma sala “tipicamente brasileira”. Não há hesitação e medo em dizer que somos feras-nenêns.
Amanhã! (…) Amanhã será tudo diferente. Não haverá mais sapatos desarrumados. Tampouco aquecimento para ir tomar banho. Será diferente. Diferente por que tomaremos o café da tarde. Trocaremos a companhia da novela das oito pela companhia dos livros. Dividiremos nossas vidas em uma fração. Resta agora, pouco para acabarmos. E diremos, um dia, hoje estamos no fim. Mas enfrentaremos o futuro com uma certeza: Nada de adeus, mas um “até breve amigos”!
E o futuro é uma astronave
Que tentamos pilotar
Não tem tempo, nem piedade
Nem tem hora de chegar
Sem pedir licença
Muda a nossa vida
E depois convida
A rir ou chorar…
Nessa estrada não nos cabe
Conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe
Bem ao certo onde vai dar
Vamos todos
Numa linda passarela
De uma aquarela
Que um dia enfim
Descolorirá…
5 Comentários
Janeiro 16, 2008 às 11:43 pm
Meooo…essa barraqueira é clássica!!!
Conhaci ela pessoalmente…uma figurassaaa!
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Agosto 28, 2008 às 2:27 pm
Olá,
Achei seu site, blog, home page, sei lá como se diz por que sou semi-analfabeto nessas questões. Mas foi depois de uma séris de clicks sucessivos, seguindo a trilha da cyntilante produções – a qual integro como ator do musical “Lampiãozinho e Maria Bonitinha”. Também sou jornalista, na assessoria de comunicação do Fórum Lafayette, e músico ( cantor lírico) do coro Madrigale. Fiquei muito “satisfeito” ao ler você. Uma escrita leve e fluente, repleta de citações musicais e históricas ( as suas próprias relacionadas com a da nossa capital e a do mundo) o que permitiram-me uma grande identificação.
Não pude deixar de lhe enviar esta mensagem de reconhecimento e até de gratidão.
Ah…tambérm acredito muito que o mundo é melhor do divulgam por aí.
Inspirado no seu modo de se expressar: “se o mundo é mesmo parecido com o que vejo, prefiro acreditar no mundo do meu jeito”
Um abraço.
Janeiro 21, 2009 às 11:18 am
Gostaria se pudesse me ajudar estou precisando de um curso para melhor posicionar sites nos buscadores como google etc..
E aprender mais sobre a ferramenta google e divulgação ..
Alguem ai pode me ajuda….
Se possivel o curso em belo horizonte ou vitoria ..
Luciano_comercio@hotmail.com
fone: 33.8805.6750
Abril 4, 2009 às 12:34 pm
gostaria de participar do programa silvio santos , por favor me envie o local informações etc
Outubro 9, 2009 às 5:44 pm
Eu já havia gostado do mini-ode lendo o começo; agora, gostei ainda mais