Do sotaque.

Estranho é quando as pessoas me perguntam se sou mesmo de Belo Horizonte. Eu faço questão de colocar em prática toda a minha mineiridade: e inclua nisso o meu sotaque. Foi cuidadosamente concebido entre as velhas montanhas da serra do curral e aperfeiçoado em lugares como a Praça Sete, da Liberdade e Raul Soares.

Vejam só Carlos Drummond de Andrade, em suas raras entrevistas que agora estão postadas no youtube, aquele tom macio de se expressar (…) que só mineiro sabe fazer. Chico Xavier, de Pedro Leopoldo, exemplo de caridade e sapiência, demonstrava com tranquilidade esse nosso jeito de falar. E Elke Maravilha, mineira nascida na Rússia, vive no Rio desde a década de 70, ainda preserva a sua língua-mãe, o mineirês (Lapidada entre Ipoema e Itabira).

Ora! Ora! Se tem coisa que me deixa bravo é paulista ou carioca desprezar ou vir com piadinhas irônicas contra esse nosso patrimônio. Eles devem mesmo desconhecer – o que corre em nosso sangue é minério de ferro e o nosso símbolo de força é o trem.

 

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