Dos rascunhos da vida – I

Escrever em tempos natalinos é diferente. De tanta gente feliz e desejos sinceros para a felicidade, parece que a essência do coração se transfere para as mãos. Tanto incentivo cai bem e o texto corre melhor. Nesses dias, talvez é mais fácil se emocionar – mesmo com palavras duras.

Quando um enredo é bem contado, a gente se torna parte da história.  Sempre admirei quem escreve bem. E sempre tive exemplos bem perto de mim. Quando alguém começa a escrever ao meu lado, vejo o que ninguém vê. O escritor cria um egrégora em volta de si: um clima inexplicável. Mas não percebe isso. Não é por menos, fica horas e horas colocando no papel o que quer deixar eternizado.

Por falar em eternidade, o que quero levar de 1994*?

(*Bom, 1994 é um ano aleatório que escolhi. Assim sou eu: descompromissado de continuidade nos textos livres. O asterisco e a explicação vem logo junto, assim mesmo. Na faculdade me recordo que sempre pediam para fazer algo novo, de oxigenar o mercado. Mas sempre os trabalhos tinham que ser colocados no papel, devidamente digitados e rigorosamente de acordo com as regras da ABNT. Foi um tempo de contradições que me fizeram amadurecer – em muitas coisas. Mas essa é outra história!)

A foto da formatura e da turma reunida!  Aquelas faces nunca serão esquecidas. Já os nomes, se foram. Quem importa? É que eles ainda são parte da minha vida. E me fazem lembrar de como era apegado… No primeiro dia de aula (na escola Bola Azul, 3º período de 1994) não queria deixar minha mãe ir embora. Como pronome possessivo, pobre de mim, a vida tinha que seguir seu curso. E mamãe também.

Ainda guardo o nome da professora. Maria do Carmo. Foi quem praticamente me alfabetizou. Gostava dos livros e da sala de aula. Estudava pela manhã. Tomava café assistindo a Globo. Era um desenho que falava sobre o corpo humano e passava antes das seis. Nunca mais tive a oportunidade de revê-lo… Nem pelo youtube.

Em 1994, tinha medo de helicóptero e avião (Mal sabia que 17 anos depois iria trabalhar como repórter aéreo em uma rádio de Belo Horizonte).  Descobri que sou espírita e, tanto pavor pode ser explicado por causa de experiências que tive em vidas passadas. Mas o que importa é o agora, esta, em que sou Sander.

 

 

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