Algumas coisas a gente tem que levar para a vida toda. Eu sinto que meu corpo está ficando velho, que um dia as rugas vão aparecer e que meus cabelos vão ficar brancos. Mas tenho a certeza que meus pensamentos e concepções sobre o mundo ainda serão jovens. Mente jovem, bem arejada e com janelas abertas – talvez essa é a expressão correta. Se esse blog durar, meus descendentes poderão ler o que sempre pensei da vida. É uma coisa de doido. “Vamos ver o que vovô escreveu em novembro de 2011?”
Pois então, meus queridos netos, hoje tenho mais um causo a contar. Talvez nem seja um causo, mas um pedido sobre o exercício do amor.
Era um outubro de 2011. Recebia, mais uma vez, a minha grande amiga (de muitas e muitas vidas) aqui na capital mineira. Nos encontramos em um cruzamento do bairro Santa Efigênia, próximo a Avenida do Contorno. O horário era do almoço e tinha acabado de sair da TV, num sol das uma da tarde. Ela iria para uma consulta médica.
Esses encontros eram intensos, permeados de alegria, conversas e descontração. Por um instante, todos os problemas do mundo eram esquecidos. O ambiente era transformado em uma espécie de “Ponte para Terabithia” (Por favor, caros netos, procurem no Google – ou Facebook – para entenderem que “Ponte” é um livro e também um filme com belíssima história).
Ela falava sobre coisas relacionadas a natureza. Reafirmava o seu amor pelos seres humanos. Me contava sobre o seu espelho maior, Jesus Cristo. Eu tinha 23 anos, um jovem jornalista que começava a ver como o mundo realmente era e vivenciava cada vez mais boas experiências apesar dos pesares.
Nessa época gostava de ouvir Marcus Viana, Sagrado Coração da Terra e músicas mais década de 70, como esta, “The year of the cat”.
Ainda não tinha conhecido a Avó de vocês. Mas era essa a música que ouvia antes de encontrá-la no sul.
Bem, ela olha em você tão calmamenteE os os olhos dela brilha como a lua no oceanoEla chega em incenso e patchoulientão você a toma, para encontrar o que está esperando por dentroO ano do gato


