MANIFESTO DE LIQUIDIFICADOR
- “Bom dia! Nós somos do Diretório Acadêmico, que é um orgão de representação dos alunos perante à universidade. Gostaríamos de nos apresentar, contar sobre o que o diretório é, o que ele faz e o que ele pode fazer”.
Todo início de semestre é a mesma coisa: Aos novos calouros de comunicação da PUC, o Diretório Acadêmico de Comunicação Integrada ainda insiste e tem a preocupação de recebe-los e promover a integração – coisa que outros DA’s e DCE não fazem.
O que irei escrever aqui é uma opinião pessoal e NÃO EXPRESSA NECESSARIAMENTE A OPINIÃO DO DACOI OU DE OUTROS MEMBROS DO DIRETÓRIO. Atualmente, sou o coordenador de Extensão e Pesquisa do DACOI da PUC São Gabriel. É um relato de tristeza e de ver qual é o tipo de aluno que chega hoje à universidade. Mas atenção, existem RARAS exceções de bons e conscientes alunos.
Antes, descrevo o clima que vivemos na PUC de Minas Gerais: CENSURA! Sim, e não me diga que sou radical não. A hora é de chutar o balde. A PUC é uma instituição digamos, de uma espécie perculiar e mesquinha: Alguns de seus funcionários vivem em clima de guerra, os alunos são reprimidos em qualquer de uma de suas manifestações por uma tal empresa de (des) segurança, não há um incentivo minímo para que vivenciamos o clima acadêmico por parte dos grandões. Sem falar na burocracia e na falta de comunicação. O tal padre que é hoje o reitor de um centro universitário aqui de BH e que já foi reitor da PUC, segundo algumas fontes que tenho, é o maior crítico da Católica, a melhor privada do Brasil. E não, não tenho medo de que me processem, de que me expulsem da melhor privada do Tupiniquim, segundo o Banco Real. “Só tem direito a críticar quem quer ajudar”. A minha maior briga com a PUC é que ela ouça mais os alunos. Que reavaliem professores. Que incentivem os bons professores. E não me diga que isso é utopia. O meu dinheiro vai pro vaticano? Universidade, pra mim, é muito mais do que aula em uma salinha quadrada e de carteiras personalizadas.
Voltemos aos novos alunos. Em sua maioria, os alunos calouros de comunicação da PUC Minas estão com 17/18 anos. Saem do colégio e vão direto para a universidade. Outro dia, em um corredor do prédio de comunicação, ouvi a conversa de duas alunas. Outro dia também ouvi a conversa de um grupinho de amigos. Um desastre, desculpem-me. “Menina, ontem quebrei a unha do pé”. “O meu esmalte vermelho combina com meus lábios de batom bonina brilhante”. ”Véi, cê viu o lançamento do filme pornô de não sei quem? móóó gostosa. Altas posições”
Não serei hipócrita de negar que todos não gostam disso, de futilidade. Eu gosto, você gosta. Mas essa futilidade é demais. A sociedade, de certa forma, paga muito mais do que nós, para que estejamos na universidade. Somos só 10 por cento do que se julga ser superior. Às vezes, eu invejo MUITO aquela geração de estudantes da época da ditadura. O que falta, de um modo geral é discussão. Tempo para discutirmos. A imagem que tenho desses jovenzinhos que entram hoje na universidade é essa: fúteis, que se preocupam com a roupa que está na moda, que não são capazes de criticarem o que estão ao seu redor. Será que com o tempo eles irão amadurecer? Descobrirem que eles vivem muito além de seus condomínios fechados?
Há um certo clima estranho na PUC São Gabriel: No DCE, seus integrantes com “Walk-Talks”. Pra que isso? Alguns novos calouros, de certa forma, entram na universidade com o clima “DA é impressão, DCE é fliperama”. Eu sou voluntário no Diretório Acadêmico. Não ganho nada para isso. Sou voluntário por que acredito que posso fazer muita coisa, talvez por um mundo melhor. Começamos, para mim, a mudar o mundo ao nosso redor. E ainda tenho que ouvir que desvíamos dinheiro para nossos bolsos – como se a prestação de contas não estivesse lá, escancarada para todo mundo que quiser ver. Mas caio em contradição: Como tentar mudar se não há interesse por parte das outras pessoas? Mudar os “alguns alunos peculiares”, será possível?
Que ocupemos nosso lugar – essa é a melhor política que podemos fazer – e o que falta aos alunos de comunicação. Não sou filiado a nenhum partido político. Eu faço minha própria ideologia política. Faço meus próprios projetos sociais. Mudo minha perspectiva de vida, estou em constante metamorfose.
E se você não gostou do que leu aqui, me escreva. Exponha seus motivos. Vamos conversar, dialogar, pormover a comunicação. Seja provocativo, seja aberto a novas opiniões e visões de mundo. Espero a resposta da universidade, que tanto critiquei e dessa espécie “alguns novos calouros peculiares”.
E repito, caros amigos e colegas da comunicação, há muito mais coisas que podemos ser além do que uma carinha bonita em um telejornal ou apresentando um programa de TV.
Eu fiz uma escolha na vida.
poderia ser médico, advogado, psicólogo, que seria minha segunda opção.
mas não.
preferi ser jornalista.
uma vez jornalista, fiz outra escolha.
quis ser aquele que compra brigas dos outros.
neutralidade eu fingia ter nas provas na faculdade.
sou um ser humano, caramba!
como ser apenas um reporterzinho neutro que fica discutindo as dores do mundo nas mesas de bar?
não.
vamos discutir em frente às câmeras, nas folhas dos jornais, nas ondas dos rádios e agora nos blogs sites e chats possíveis e impossíveis, ora bolas.
e, principalmente, na cara dos poderosos de plantão, eventuais ocupantes de palácios e dachas de verão.
Des-aliene-se.
2 Comentários
Agosto 23, 2008 às 12:12 pm
Fui presidente e um dos fundadores do DACOI. Fico orgulhoso em saber que ainda há gente no DA pensando como nós pensávamos quando o fundamos. O DACOI, caro Sander, surgiu de reflexões muito parecidas com essas que você faz neste belíssimo manifesto. Estávamos cansados da futilidade, da inércia e da alienação. Tínhamos o sonho de despertar a consciência dos alunos de Comunicação, no sentido de melhorar o nosso curso e, dessa forma, formar pessoas e profissionais mais conscientes e críticos. Pelo seu relato, os desafios do DACOI hoje ainda são muito parecidos com os do passado. E a preocupação em formar a consciência dos calouros também nos acompanhava naquela época, há 5 anos atrás. Afinal, o DA precisa, por uma questão de sobrevivência, de calouros mais conscientes. Eles são o futuro do DACOI, pois só eles poderão dar prosseguimento ao trabalho de quem faz parte do DA hoje. Hoje, o DA só existe porque um dia você e seus companheiros de DA foram calouros. Fico feliz em saber que a semente que plantamos, está crescendo. Desejo a vocês muito sucesso na direção do DACOI e estou à disposição para ajudar no que for preciso. Abraços.
Janeiro 26, 2009 às 5:10 pm
Olá,Meu nome e Gabriela Araujo,faco Direito e transferi a faculdade da Puccamp para a Puc BH(Sao Gabriel).Fiz parte do Centro Academico da minha faculdade e do DCE da Univesidade,por motivos alheios a minha vontade tive que me afastar da militancia estudantil mas pretendo voltar a ativa esse ano aqui em BH.
Li o seu artigo e suas palavras me contagiaram,muito bom saber que ainda existem jovens presentes e que pensam em um bem maior e nao no proprio umbigo,se metade da midia brasileira fosse como voce as coisas funcionariam com muito mais eficacia e transparencia.
Nao somos do mesmo curso mas desde ja manifesto minha vontade de participar e colaborar para que mudancas acontecam na nossa uiversidade,afinal em qualquer lugar do pais Filhos da Puc sao Filhos da Puc.
entre em contato comigo, meu email e gabrielaaraujo235@hotmail.com
Ps:A falta de acentos e que meu PC esta desconfigurado.RS