Soneto de Nostalgia

Maio 11, 2008

Um dia chegamos em um determinado ponto de nossas vidas que temos que fazer um balanço. E este momento chega para todos: Vejam só, eu, um jovenzinho de quase vinte anos. Nasci em maio e segundo a astrologia pertenço ao signo da comunicação - sou geminiano.  Quando era criança queria ser motorista de ônibus. Tinha medo de helicóptero. Adorava meu travesseirinho do Cascão da Turma da Mônica. Desde sempre, adorava comer massas - nhoque, macarrão, lasanha. É tradição da minha família, descendentes de italianos. Acreditava, inocentemente, nos comerciais da TV. “Panela Penedo cozinha até pedra” - E eu, imponente dizia, “Mãe, compra Penedo e faz sopa de pedras para mim?” Sou de transição: 23 de Maio de 1988. Nasci na década de ‘80, mas minhas lembranças maiores são da década de ‘90. A melhor excursão da minha vida foi ao Detran, onde havia uma cidade de mentirinha e onde carros eram de bicicleta. Me lembro que assistia muito Chaves. Adorava pão com presunto. Domingo era dia de ir na casa de parentes. Adorava meu avô, meu Limãozinho, como o chamava. Avôs e Avós são tudo de bom. Adorava ficar deitado no colo da minha avó. Em um natal, ganhei um ônibus de brinquedo - era o máximo! Sou a criança mais feliz do mundo! E a geração atual que me desculpe, mas não tenho vergonha em admitir que acreditava em Papai Noel. Era fascinado com mágica: Meu tio uma vez fez um truque e fingiu que tirou o dedo dele. Eu fiquei anos e anos tentando descobrir como ele fazia isso. Tenho muitos tios. Me lembro que um desses trazia caixas e caixas de biscoito bauducco para mim. Uma vez, pedi a minha madrinha uma mochila marrom com rodinhas. Ela tinha me prometido me dar no natal. Me deu uma mochila marrom mas sem rodinhas. Tinha ficado maravilhado. Mamãe era professora, mas nunca tive a sorte dela dar aula para mim. Adorava quando ela brigava comigo, exigindo capricho em meus cadernos. E quando veio meu irmão? Como assim, eu não vou ser mais o centro das atenções? Fiquei enfezado! Mas no fim no fim adorava a idéia: Mamãe passava tardes comigo por que eu queria ouvir meu irmão dentro da barriga dela. E eu lá atento com o ouvido: mas ele não vai se mecher mais não? Desde pequeno, sempre tive a companhia de minha prima. Éramos Tom e Jerry. Ela uma vez teimou comigo que a gordurinha da carne de boi era boa para a saúde. Eu, cabeça dura, dizia que não. Ela, para mim, sempre foi exemplo: três anos mais velha, com o sonho de ser médica e cdf. Sempre quis aprender a soltar papagaio. Papai nunca deixou. Prefiria brincar de bola de gude comigo do que soltar papagaio. E eu adorava. Achava tão legal - muito melhor do que papagaio! Aos poucos ia crescendo. Tinha crescido. Minha adolescência foi tranquila: tudo teve seu momento certo. Sempre apostaram em mim, sempre fui um dos referências em minha família. E não podia decepcionar. Acredito que não decepcionei. Uma boa observação: depois que descobri que não queria trabalhar como motorista, descobri que queria ser jornalista. É algo mais forte do que eu. Há algo em mim que insiste em dizer: acredita no jornalismo. Você nasceu para isso. Sempre fui muito tímido externamente. Internamente, arquitetava: Já desejava as menininhas da minha sala de terceiro período pré-primário. Mas sempre fui bobão, adepto não-garanhão em relação aos amores: Meu primeiro namoro só aconteceu em 2001, na sétima série. E não fui eu quem tomou a inciativa. Em 2005, iria me formar. Tempos de vestibular. Não estava aguentando o tranco: escola pela manhã, cursinho à a tarde e mais estudo á noite. “Sander, tá tudo bem? Você pode dar um tempo se você quiser nos estudos” -  Mamãe insistia. Não! Nunca fui de desistir. Mesmo que estivesse muito cansado, me recusava. Resolvi apostar em mim mesmo e passei no vestibular - que não é uma das minhas maiores vitórias.

Na verdade, uma das minhas maiores vitórias são meus amigos, minha família. Hoje, se estou aonde estou é por causa de um conjunto de pessoas. Elas me ajudaram em meu amadurecimento, em meu crescimento pessoal. Me deram força, me ajudaram nos momentos mais críticos. Brigaram comigo, porque gostam de mim. Alguns não tenho mais contato. Para outros amigos, pouco contato. Com os novos amigos, novas conquistas. Eu acredito muito neles. São para mim, minha essência. Alessandras, Bárbaras, Camilas, Cristianos, Daniels, Danielas, Déboras, Elisangelas, Natálias, Rodrigos, Fábios, Anas, Marcelos, Fatines, Priscilas, Patrícias, Verônicas, Helenas… A minha fala de Muito Obrigado. Esteja onde eu estiver e onde vocês estiverem.

Um dia, eu só queria reviver meus momentos de quando era criança. A simplicidade de um presente, a simplicidade de um gesto e a inocência de acreditar em publicidades da TV. Eu me recuso, às vezes, de acreditar que o mundo é cruel. Eu prefiro a simplicidade, as verdadeiras pessoas. Eu prefiro acreditar, que um dia, o mundo vai estar bem. Desculpem-me a utopia. Mas precisamos também de viver de sonhos. “E sonhos não envelhecem.”

“É preciso, ter força, ter garra, sempre!”

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