MGTV: 30 segundos… 15 segundos… encerra!

Março 27, 2008

12:15, MGTV 1° edição. Abertura com o GloboCop - ”Boa tarde a todos, você vê imagens ao vivo da Br 381, no trecho de Ravena, onde um acidente deixa o trânsito lento(…)”   

Tudo bem até o momento… Uma matéria sobre o trânsito de Belo Horizonte, está cada dia mais difícil de andar de carro na capital. Falta consciência do motorista também.

Pausa para falar do tempo. A temperatura em Belo Horizonte caiu quatro graus. Previsão para algumas cidades mineiras… chuva, nublado… sol!

Entrevista no estúdio. Uma orientadora profissional é a entrevistada. Ok, a entrevista começa bem, tranquila. De repente, uma voz rouca masculina entra no ar: “30 segundos”. Uma última pergunta para a orientadora. E a voz novamente: “15 segundos”. Última respirada, e novamente a voz,  ”ENCERRA!”

As gafes da TV. Elas não são prejudiciais se não forem constantes. O telejornal parece que fica mais humano. É tudo muito sério, muito ensaiado, muito técnico. O Jornal Hoje talvez é pioneiro: Com as piadinhas de Sandra e Evaristo (é, nem sempre eles acertam) o telespectador descobre que os jornalistas não são máquinas: comem, dormem, transam, conversam, ficam doentes etc e tal.


Tempo amigo, seja legal com o Rio São Francisco

Março 27, 2008

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Código-chave: “desktop>sanderkelsen>imagens>01/12/2007″

Em uma pasta em meu computador, encontro algumas imagens. Ou melhor, reencontro imagens. Nelas, a contraposição de flores, mato, pessoas, balsa e um rio. Este rio, descoberto em 1502 por gente civilizada?!?, tem hoje 168 afluentes e é considerado o rio da integração nacional. Você logo matou a charada das informações acima pelo título deste post: “seja legal com o Velho Chico”. Ei, Rio São Francisco… Hoje eu não quero falar sobre sua transposição, dos interesses políticos que inventaram para você. Mas sim, quero falar do que te move: sua gente. Em algum ponto do rio, “bom dia dona Maria, a senhora tá boa?” “oh, meu filho, tô levando. E ocê?” E dona Maria continua lavando sua roupa. Seis e meia da manhã, munícipio de São Francisco, norte de Minas. Desço do ônibus, as pernas tremendo, muita fome. Viagem de Belo Horizonte até o noroeste mineiro, tinha ainda muito caminho pela frente. Era meu primeiro contato com o Velho Chico. Um sorriso no rosto, pausa para a foto. Uma, duas, três, quatro, cinco, seis… Rossana, tira mais uma da gente? O cenário… Ah, o cenário! O velho Chico, a Igreja da cidade de São Francisco ao fundo, e um moço, com um fio de mato na boca, observando a mim e a meus colegas. “É gente da cidade né? Belo Horizonte? Já estive lá uai… É muito carro e gente por lá”. Chega a balsa, o ônibus em que eu estava embarca nela. Iría atravessar o Velho Chico. Com muito receio, eu, um cara da cidade grande indago: “Mas, essa balsa aguenta um ônibus?” Um barranqueiro, rindo, me diz: “Aguenta até dois, sô!” É a comprovação: O meu saber, o acadêmico que dizem que é superior, se relacionando com o conhecimento local. E aí, qual é o mais importante? Quem disse que o conhecimento acadêmico é superior ao conhecimento popular? A balsa estava indo… ia… foi. A imensidão do chico… uma névoazinha ainda subia do rio. Mais uma foto? Sete horas da manhã, outro lado do velho chico. Dez minutos de travessia. Embarcava no ônibus para ir embora, dava adeus ao Chico, por um momento. Foram os 30 minutos mais intensos de minha vida, sem dúvida. “Tchau povo da cidade”, o moço da balsa disse. Sento em minha poltrona, pego um cobertor. Imediatamente, não sei o por quê, em minha cabeça, vêm aquela música do Pato Fu, aquela, especial para mim… Canto bem baixinho, pensando no velho Chico,

“Tempo, tempo mano velho, falta um tanto ainda eu sei

Pra você correr macio

Tempo, tempo mano velho, falta um tanto ainda eu sei

Pra você correr macio

Como zune um novo sedã

Tempo, tempo, tempo mano velho

Tempo, tempo, tempo mano velho

Vai, vai, vai, vai, vai, vai

Tempo amigo seja legal

Conto contigo pela madrugada

Só me derrube no final”

Talvez é o que chico precise, tempo. E o que o tempo… que o tempo seja legal com ele. Deus abençõe o nosso Velho Chico