O deslocamento do olhar na Comunicação Social
Fevereiro 8, 2008
A príncipio, o título desse post pode causar estranhamento. Deslocamento do olhar - Foi o assunto que discuti na última sexta-feira, numa disciplina que se chama Linguagens Digitais - na FCA PUC Minas. Elisa Quintero, nossa professora, foi provocativa: nos apresentou um filme de Eder Santos que é aqui de Minas Gerais mesmo.
p.s = Eder Santos, segundo Arlindo Machado:
Eder Santos talvez seja o mais conhecido e difundido dos atuais realizadores brasileiros de vídeo. Paradoxalmente, sua obra não é fácil. Pelo contrário, pode-se caracterizar os vídeos de Santos como as experiências mais radicais e mais isentas de concessões de toda a produção videográfica brasileira: eles são constituídos em geral de ruídos, interferências, “defeitos”, distúrbios do aparato técnico e, às vezes, roçam mesmo os limites da visualização. Em muitas de suas vídeo-instalações, Santos faz projetar imagens de vídeo sobre paredes texturadas e rugosas, ou ainda sobre dunas de areia ou chão irregular, de modo a perturbar a inteligibilidade das imagens ou corromper a sua coerência figurativa.
Compreende-se bem essa fúria desconstrutiva com relação ao áudio-visual: Santos ataca em seus vídeos justamente a perda de vitalidade das imagens, sua redução a clichês gastos pelo abuso da repetição. A trivialidade da vida cotidiana, o comportamento estereotipado das pessoas, o turismo de massa e a futilidade dos cartões postais são materiais de que o realizador lança mão para construir contra eles, mas a partir deles, uma reflexão implacável sobre a civilização contemporânea.
Depois de assistirmos “Enredando o olhar”, (não tenho certeza se é esse o nome mesmo do filme), Elisa disse uma coisa que me deixou intrigado, incomodado, pensativo:
“Exercite seu olhar. Você já percebeu que quando, por exemplo, estamos vindo para a faculdade ou indo para qualquer outro lugar que já estamos acostumados a ir, sempre olhamos para as mesmas coisas? É quase automático. Tente fugir disso, olhe o que você ainda não viu”.
Batata! Me deixou pensativo, pois é verdade isso: me lembro que outro dia estava no bairro Floresta, dentro do ônibus, rua Jacuí. De repente, resolvi olhar para cima para ver os andares dos prédios. Levei um susto: Há tanto tempo que passo na rua Jacuí e nem tinha percebido casas históricas, prédios em construção, publicidades dependuradas…
“O deslocamento do olhar se dá quando você vê além” - Foi outra coisa que refleti bastante e percebi que tenho que olhar muito além em algumas situações pessoais.
Outra coisa que Elisa disse também, me deixou angustiado: Os profissionais de comunicação que estão hoje no mercado esperam que a universidade forme seus alunos para que tenham capacidade de produzirem algo novo, diferente. O mercado precisa dessa oxigenação. A comunicação Social precisa então do deslocamento do olhar, precisamos ver algo além!
Qual será meu papel então para produzir algo que oxigene o mercado? Nichos não faltam. É uma angústia boa: Com o tempo você adquiri o background e com a auto-crítica tudo facilita mais, acredito.
Ou será que serei mais um mero papagaio?
Entry Filed under: Comunicação, cinema. Etiquetas: FCA PUC Minas, comunicação social, deslocamento do olhar, Linguagens digitais PUC Minas, Elisa Quintero PUC Minas, Éder Santos Belo Horizonte, jornalismo, audiovisual, filmes alternativos.
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