Protestos em Belo Horizonte: 17 de junho, um dia histórico!

Há muito deixei de acreditar em partidos e bandeiras. Me tornei assim depois que conheci realidades bem diferentes por esse Brasil (Apesar da minha pouca idade e maturidade); tanta corrupção, tanta pobreza, tanta falta de cuidado. Fiz uma mudança: acreditar em pessoas: pra mim, ainda é o melhor investimento. É uma forma de não me isentar dos problemas e não dizer que sou apolítico – impossível. Fico imaginando os sociólogos tentando analisar esse momento. É hora de renovar as teorias e de, talvez, não explicar essa combustão de gente na rua a querer mudanças. É simples: cansamos. Pois bem, presenciei hoje, como profissional, as “manifestações” em Belo Horizonte. Não sei quando e onde começou: Ao subir em um prédio e ver a Praça Sete ocupada por jovens (e muitos com a bandeira do Brasil) deu orgulho. Sensação que não se explica. Gente nos prédios aplaudindo. Gente observando a passeata passar. Mobilização na medida certa contra os problemas do país. Enfim, amanhã o assunto em pauta será o confronto que houve na Avenida Antônio Carlos, próximo a Universidade Federal. Uma pena. Utilizando um clichê, estive no olho do furacão. Vi que foram pessoas isoladas – más e não engajadas – que fizeram a depredação em um banco e jogaram pedras contra a polícia. Quando realizavam esses atos, eram imediatamente repreendidas por pessoas do bem. Pela primeira vez, experimentei o gás lacrimogêneo. E foi aí que também experimentei a solidariedade de quem estava por lá. Me ofereceram inúmeras vezes vinagre e água quando viram que meus olhos estavam a ponto de miséria. E muitos outros tentavam me proteger! Enfim, palavras do dia: união e solidariedade. Elas se destacam mais do que qualquer outra coisa. São ingredientes para começar um novo tempo.

Brasil, confia em mim.

Gostaria de ter conhecimento de causa: de onde vem o tom imperativo e de que tudo está certo por parte de nossos governantes? Outro dia, ouvi do meu pai que sou utópico e idealizador além da conta. Ele me disse que desconheço o que é a política atualmente no país. Em suma, troca de favores e interesses em prol de algo desejado. Ele, empresário, ensino fundamental incompleto… mas formado pela escola da vida. Eu, jornalista, ensino superior completo e recém batizado na escola da vida. Conclusão? Sabedoria a gente ganha com o tempo. “Já dizia alguém nesses caminhos, filho: se a gente quiser, podemos com certeza reescreever um novo final. Talvez não verei o desfecho disso tudo… mas a sua geração, sim”.

Outro dia, conversava com uma amiga sobre as novelas brasileiras. Há sempre uma que se destaca; é certo que o Brasil desenvolveu nas últimas décadas uma linguagem própria e todo um repertório para fazer essas produções televisivas. Vingou, o mundo inteiro consome esse tipo de produto. Ela, 39 anos, viveu o período da transição da ditadura para a democracia. Eu, 25 anos, a chamada geração Y e que pouco lembra do movimento caras-pintadas e do fantasma da inflação. Me dizia sobre Vale Tudo, exibida no ano de meu nascimento, o quando a novela foi atual e pertinente para a época – de mudança, de novos ares, de esperança.

Leila e Marco Aurélio fogem do Brasil com Bruno (Danton Mello) e o executivo ainda dá uma banana para o Brasil. Ivan é preso pelo processo de corrupção. Heleninha consegue superar seus problemas de alcoolismo e Afonso, novamente com a ajuda de Sardinha, descobre que o bebê de Solange é mesmo dele e os dois podem viver felizes para sempre. – Retirado do site Teledossiê.

Encontrei alguns capítulos no Youtube. E a cena descrita acima, a que mais me marcou.

A música da abertura da novela, de Cazuza, é sugestiva, embalada pelo verbo terminar: terminar no sentido de que já deu; era preciso avançar, politicamente e socialmente. Nascia assim um novo egregóra para o país.

Brasil!
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim…

O Brasil é um país surpreendente. O seu povo também. O que me parece é que estamos acordando para tanta corrupção, burocracia e faltas que nos emperram e não nos deixam seguir. Mas fica claro aqui uma coisa. Quando conheci a multifunções Elke Maravilha, uma frase dela que ficou para sempre em mim: “Quando emoção sai do coração, vira bandeira, vira partido… não dá certo. A nossa única saída possível é exercitar o amor”.

Revoluções.

Engraçado saber como as prioridades mudam. Como é urgente criar novos espaços para concretizar os sonhos. Sempre tive um pé atrás com as orientações vocacionais nos tempos de pré-vestibular. A possibilidade de estabelecer metas para conquistar os sonhos nunca foi o meu foco – por isso, aversão a coachings e psicólogos. Como se planejar para a vida toda? Não me agrada. O único planejamento que faz parte do meu vocabulário é o aqui e o agora. Talvez está aí um motivo para tantas tempestades… mas ter a certeza que a liberdade está ao meu lado, bom, não tem preço. Tudo pode mudar e, sem querer ser papo de auto-ajuda, estar aberto ao novo é o segredo para não se tornar ranzinza tão cedo. Tudo, ao mesmo, agora: eu tenho a licença poética por ser geminiano. É assim mesmo, somos desconexos. Calmaria e agitação.

Estranho é perceber, com 1/4 de século, que o bacana não é idealizar coisas materiais ou concretas. Grande parte das pessoas tem a vida tradicional por demais: um emprego, um carro, um diploma; o aperto no orçamento para pagar as contas no fim do mês, alguma atividade cultural, a esposa, o marido e o filho. Longe de considerar essa lista o cúmulo ou que seja incorreto. A propósito, vejo que cada um tem um dom. Todos com sua maneira mais adequada para investir potencial e energia em algo. Quem sou eu para julgar? É que “só” descobri que nada disso é para mim, esses coisas repetitivas, feitas de forma quase mecânica, esperando um sim da sociedade… ou chegar lá! Eu prefiro nunca estar pronto, seguir como aprendiz. Talvez tenha muito ego e egoísmo nas palavras. Mas algumas revoluções que acontecem dentro da gente precisam ser externadas.

Para entrar e sair e refletir e fugir e voltar.

Para entrar e sair e refletir e fugir e voltar.

O filtro dos sonhos.

O filtro dos sonhos.

Com a licença poética.

Com a licença poética.

Alice.

- Engraçado ver essas fotos. Tô me sentindo pequena. Sentindo que o mundo é grande. Eu nunca vi a neve, eu nunca nem saí do Brasil. Olhando essas fotos, eu lembro do meu pai. Das coisas que ele escolheu deixar de ver, deixar de viver. Aí deu vontade de viver um monte de coisas por ele. Veio também um pensamento esquisito na cabeça. Talvez valha mais uma Alice voando… do que mil Alices com os pés no chão.

Meu sangue latino.

Meu sangue latino.

Eu não sei bem para onde minha vida vai... Mas eu sei que ela é outra. E ela é nova.

Eu não sei bem para onde minha vida vai… Mas eu sei que ela é outra. E ela é nova.

Histórias do passado, bases de hoje.

Em Itabira, Minas Gerais, alguns lugares e pessoas merecem ser apresentados ao mundo. Nesta série, a escritora e jornalista Liliene Dante revisita o passado de sua infância. São histórias de ontem que dizem muito sobre os dias de hoje. Passado, presente e futuro se tornam um tempo só: o tempo da vida.

Homenagem Nossa Senhora do Rosário

Eu encontrei hoje o relato de Dona Divina em meus arquivos. Gravei em Itabira, no ano de 2011. Era dia de festa, inauguração de uma capela para homenagear Nossa Senhora do Rosário. O que mais me emociona é a força desta mulher. Da fala serena e determinada. Exemplo de como mobilizar uma comunidade em prol de interesses comuns. Por isso que gosto demais das terras itabiranas: é lá que peço conselhos quando quero avançar.

Contra a ignorância.

O professor está almoçando no restaurante de uma Universidade. Chega o Joãozinho com sua bandeja e se senta ao seu lado. O professor diz:
- Um porco e um pássaro não se sentam juntos para comer.
O Joãozinho responde:
- Pois então, eu saio voando – e troca de mesa.
O professor roxo de raiva, decide vingar-se na próxima prova, mas o Joãozinho responde todas as perguntas brilhantemente.
Então o professor lhe faz a seguinte pergunta:
- Você está caminhando pela rua e encontra uma bolsa, dentro está a sabedoria e muito dinheiro, Qual dos dois você pega?
E o Joãozinho responde sem titubear:
- O dinheiro.
E o professor lhe diz:
- Eu, em seu lugar, teria agarrado a sabedoria. O que acha?
“Cada um pega o que não tem.”, responde Joãozinho.
O professor, já histérico, escreve em uma folha da prova: “Idiota” e a devolve ao Joãozinho. Joãozinho pega a folha e se senta. Depois de alguns minutos se dirige ao professor e diz:
- O senhor assinou minha prova, mas não me deu a nota.